ANFAVEA RECUA E ASSEGURA A CONTINUIDADE DO ACORDO

O presidente da ANFAVEA, Luiz Adelar Scheuer, anunciou ontem que as montadoras vão manter o nível de emprego até o final de setembro. A decisão, que elimina a oposição do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista à continuidade do acordo de redução de preços dos carros, foi comunicada ontem à secretária nacional de Economia, Dorothéa Werneck. Sheuer afirmou que o nível de emprego médio será mantido, mas não serão repostas as vagas criadas em consequência de aposentadorias ou demissões voluntárias. Segundo ele, as montadoras não pretendem realizar demissões em massa. Hoje, elas empregam 108.146 trabalhadores. O governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury (PMDB), disse que o governo estadual e os metalúrgicos vão manter o acordo, em função do recuo da ANFAVEA. Segundo o presidente da ANFAVEA, a medida resultou do desempenho das montadoras em julho, quando foi batido o recorde de produção de veículos deste ano. Foram 100.645 unidades fabricadas, uma alta de 2,25% em relação a junho. Na comparação dos sete primeiros meses do ano, a produção foi 14,16% maior que a registrada em 91. Houve um aumento de 59,7% na venda de carros após o acordo feito na câmara setorial, que passou a vigorar em 27 de março e resultou em uma redução de 22% no preço final dos carros. Segundo a ANFAVEA, foram vendidos em média 66,3 mil carros por mês no segundo trimestre, enquanto as vendas não superavam 41,5 mil unidades mensais de janeiro a março passados. As vendas no mercado interno cresceram 7,17% em julho em relação a junho, com 71.403 unidades comercializadas. No entanto, o total de vendas acumuladas de janeiro a julho foi 5,01% menor este ano do que em 91. O setor também exportou, em julho, além das expectativas. Foram 29.490 unidades no mês passado, o equivalente a uma alta de 7,10% comparada ao mês anterior. Até o final de julho as montadoras contabilizaram US$1,816 bilhão, com vendas externas, contra os US$1,167 bilhão do mesmo período do ano passado. O presidente da ANFAVEA criticou a morosidade de encaminhamento do projeto sobre as cotas de importação ao Congresso Nacional e defendeu a fixação de uma cota de 7% de proteção. "Protecionismo existe em todos os países, mesmo os desenvolvidos. Veja o caso japonês. Se eles elevarem em 1% a produção, terão 130 mil carros a mais, o que corresponde a 20% do mercado brasileiro do ano passado e a demissão de 18 mil pessoas". Assim, a indústria nacional quer que o total a ser liberado para importação seja limitado a 7% da produção e que 3,5% sejam destinados às montadoras já estabelecidas no país. Como o projeto não contempla essa medida, a ANFAVEA está tentando colocar a imposição nos acordos do MERCOSUL. Assim, a assinatura do acordo no Cone Sul forçará uma revisão (FSP) (JB) (GM).