REGRAS ESTÁVEIS E EDUCAÇÃO: RECEITA PARA COMPETIR NO MERCADO

Facilitar a importação de alta tecnologia, investir pesadamente em educação, com ênfase no ensino básico, e manter regras estáveis na condução da política econômica. Seguida essa regra-- já adotada por países como Taiwan, Coréia do Sul, Cingapura e Malásia, entre outros--, o Brasil terá condições de desenvolver uma indústria competitiva a nível mundial. A opinião é do professor de Administração de Negócios Internacionais da Universidade de Lausanne, Stéphane Garelli, ao participar de um seminário ontem, em São Paulo. "Nenhum país consegue ser competitivo sem exportar", disse Garelli, referindo-se a algumas empresas brasileiras que optam por exportar apenas quando não conseguem vender no mercado interno. Mas a base de uma indústria competitiva em termos mundiais é uma sociedade jovem educada e saudável. E não é apenas o Brasil que apresenta esse tipo de deficiência no seu orçamento público. Garelli também citou a CEE (Comunidade Econômica Européia) como exemplo de má administração de verbas públicas. Diante desse quadro, qual a melhor opção para o Brasil? Na opinião do professor em Ciências Econômicas pela Universidade de Lausanne, George Taucher, "o futuro do Brasil está no NAFTA (North American Free Trade Area)". Taucher observou que o NAFTA, zona de livre comércio formada por Canadá e EUA e cuja entrada do México está praticamente acertada, é a melhor opção para o exportador brasileiro sem vínculos com corporações multinacionais. "Os EUA estão mais próximos e são o país que mais compra produtos brasileiros", disse, acrescentando que a CEE, como grupo de países, é o principal importador do Brasil, absorvendo cerca de 30% das exportações do país. Nesse caso, o MERCOSUL teria mais chances de sobreviver, acredita o professor. "Dentre esses quatro países (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), o Brasil é mais eficiente em muitos setores e é certo que os demais vão perder nesse acordo", disse Taucher. Ele traça um paralelo entre o que já está ocorrendo entre o NAFTA e o MERCOSUL: "Temos em Los Angeles mão-de-obra não treinada e cara que vai perder espaço para os trabalhadores mexicanos mais baratos". No caso do MERCOSUL, o lado mais frágil é dos argentinos, paraguaios e uruguaios. O professor Taucher cita a questão das normas técnicas e classificação de produtos como exemplo de futuros problemas que os exportadores brasileiros deverão enfrentar no mercado unificado da CEE. É sabido que tais regras devem ser harmonizadas entre os países-membros da CEE, mas "um país sempre pode apelar para a proteção da saúde, por exemplo, para impedir a entrada de um produto (GM).