ARGENTINA ASSUSTADA COM BRASIL

Está existindo alarme entre empresários argentinos diante da entrada
49316 massiva de produtos brasileiros, afirmou Manuel Herrera, secretário-geral da União Industrial Argentina (UIA), que participou, na cidade de Passo de Los Libres, de uma reunião de prefeitos do MERCOSUL. "Fiquei preocupado com a imagem dos caminhões cruzando a fronteira carregados de produtos provenientes do Brasil e regressando, em geral, vazios. Do lado argentino, nem sequer se mandava alho, como antes, porque o preço de venda já não cobre os custos", assegura o empresário, diretor da Petroquímica Argentina (Pasa). De fato, é a primeira vez que Herrera expressa o receio de que a invasão brasileira possa prejudicar o andamento da construção do mercado comum por seus efeitos sobre a indústria argentina. Neste momento, a tarifa média de importação da Argentina em relação ao Brasil é de 4% (10% em relação ao resto do mundo). "Estão vindo produtos de todas as partes, mas a vizinhança entre Brasil e Argentina reduz o custo do frete e este também é um fator importante para o empresário brasileiro na hora de decidir para onde exportar". Para o empresário argentino, neste momento, "a proximidade assusta". Os números do intercâmbio comercial entre os dois países não desmentem o secretário-geral da UIA. O superávit comercial de US$776 milhões que a Argentina acumulou em 1990 em suas vendas ao Brasil transformou-se num déficit de US$33 milhões em 1991 e esta cifra negativa ameaça superar US$1 bilhão este ano. "Não é a mesma coisa a Argentina colocar 10% de sua produção no Brasil e os brasileiros, por sua vez, venderem aqui 10% de seus produtos, por causa da diferença de tamanho das duas economias. Para o nosso país, essa situação pode significar a paralisia de milhares de emrpesas", explica Herrera. O secretário-geral da UIA tem ouvido reclamações contra importações de máquinas colheitadeiras (80% vêm do Brasil), eletrodomésticos (principalmente geladeiras), frangos, queijos, compressores, móveis, têxteis, brinquedos, produtos de borracha, pneus (40% vindos do Brasil), calçados (30%), confecções, papel e autopeças. "Em alguns setores, como o siderúrgico e o petroquímico, a pequena quantidade de empresas permite realizar acordos setoriais que protegem os interesses dos dois lados da fronteira. Mas como fazer no caso dos têxteis, eletrodomésticos, produtos de borracha, com centenas de empresas?", pergunta Herrera. Temo que essa situação comece a criar um clima de opinião contrário ao
49316 MERCOSUL, o que seria um desastre, afirma, ""porque estratégica e politicamente, como medida de médio e longo prazo, o mercado comum é absolutamente insubstituível para o Brasil e a Argentina. O secretário-geral da UIA afirmou ser "urgente" que as autoridades econômicas encontrem forma de "neutralizar a assimetria potenciadora do resto das assimetrias já existentes: a diferença no câmbio". Outras providências, segundo ele, são "acelerar ao máximo o cronograma para a solução das assimetrias macroeconômicas, chegar a uma tarifa externa comum e institucionalizar o mercado comum, criando foros de decisão supranacionais que possam harmonizar tudo isso". Falta falar e se entender como sócios que somos, assinalou. "O MERCOSUL não existe para que se tirem vantagens circunstanciais das diferenças no câmbio. Temos que nos dar conta de que o mercado comum não foi criado para que um país aplique mecanismos de promoção às exportações para ganhar espaços junto ao seu próprio sócio", afirmou (JB).