O ministro da Justiça, Célio Borja, recebeu dos ministros militares um apelo para que se mantenha no cargo. O pedido foi feito há cerca de 15 dias, num instante em que Borja manifestava reservadamente desconforto com a evolução das apurações envolvendo o presidente Fernando Collor às irregularidades praticadas por seu amigo e ex-caixa de campanha, Paulo César Farias. O portador do pedido a Borja argumentou que o ministro poderia desempenhar importante papel numa eventual transição do governo Collor para a administração do vice-presidente Itamar Franco. A solicitação deixava implícita a possibilidade de sucesso do processo de impeachment de Collor. Além do PFL, o ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, enfrenta uma nova pressão por liberação de verbas. Os ministros militares querem um reajuste médio de 65%, retroativo a julho. A Economia afirma que não tem recursos para conceder o aumento e a solução para o impasse será política e caberá ao presidente Collor dar a última palavra. As Forças Armadas alegam que tiveram uma perda salarial de 800% no governo Collor e frequentemente levam ao presidente preocupação com insatisfação nas tropas (FSP).