BRASIL E ARGENTINA PROCURAM HARMONIZAR POSIÇÕES NOS ORGANISMOS

Brasil e Argentina iniciam hoje, em Buenos Aires, reunião de consulta ampla sobre temas políticos multilaterais, regionais e bilaterais, com ênfase em questões relacionadas com a implementação do Tratado de Tlatelolco de não proliferação nuclear no continente latino-americano, o MERCOSUL e o aproveitamento hidrelétrico do Alto Uruguai. A reunião, chefiada pelo embaixador Luís Felipe de Seixas Corrêa, secretário-geral do Itamaraty, e por seu homólogo, Fernando Petrella, será seguida de um encontro entre os chanceleres Celso Lafer e Guido De Tella, provavelmente em Foz do Iguaçu (PR), no final deste mês. A reunião de Buenos Aires fará uma análise geral do relacionamento entre os dois países. A pauta é extensa. Os dois governos examinarão, por exemplo, suas coincidências e divergências em assuntos discutidos nos organismos multilaterais, como OEA e ONU. No âmbito regional, são claras as diferentes posições dos dois países em relação aos EUA e Cuba. O governo argentino não esconde sua oposição ao regime de Fidel Castro. O Brasil, assim como o México, mantém inalterada uma postura de não ingerência nos assuntos internos cubanos. Com relação aos EUA, a Argentina tem executado uma política externa bastante alinhada aos interesses de Washington, o que não é o caso do Brasil. O governo argentino defende que o Grupo do Rio, mecanismo de consultas políticas que reúne países da América do Sul, México e Caribe, inicie um diálogo com os EUA. A delegação brasileira está preparada para ouvir queixas, como a de que oe empresários argentinos estão preocupados com o superávit brasileiro na balança comercial bilateral. Os diplomatas responderão que esse é um problema de ajuste econômico argentino, uma forma de devolver as críticas de Buenos Aires de que as falhas da política macroeconômica brasileira poderão comprometer os resultados do MERCOSUL. A delegação argentina proporá que os dois países mantenham uma representação diplomática única em determinados países. O Itamaraty quer mais esclarecimentos sobre essa sugestão. No âmbito bilateral, estão previstos os seguintes temas: integração fronteiriça, energia nuclear e projetos em andamento, como a construção da usina hidrelétrica Pichi-Picun-Leufu, obra que está sendo executada pela construtora Norberto Odebrecht (GM).