No ano passado, 20% do comércio mundial ocorreram a partir de zonas de livre comércio, como a que foi instalada em Manaus (AM). O número dessas zonas está crescendo. Só nos EUA, onde havia nove até 1970, o número saltou para 32 em 1974 e 333 no ano passado. O vice-presidente da Miami Free Zone Corporation, Robert B. Sproul, acompanha esse desdobramento com atenção. Eu sempre me surpreendi com o volume de exportações que saem de Miami
49290 para uma pequena economia como a do Paraguai, que alcançaram US$169,8
49290 milhões em 1990, diz ele, que administra a empresa privada que explora a zona franca de Miami. Isso era compreensível, no entanto, porque as economias do Brasil e da Argentina eram muito fechadas". A maioria das mercadorias despachadas para o Paraguai tinha como destino final as duas grandes economias do continente. "Agora que ambas estão se abrindo mais ao comércio, através do MERCOSUL e da queda das barreiras alfandegárias, essa tendência deve mudar", explica Sproul. "É mais barato enviar as mercadorias diretamente para o Brasil em vez de passar antes pelo Paraguai". Parte das exportações para o Uruguai deve ser afetada pela mesma razão, acredita ele. Mas além dessa reorganização no porto de destino de mercadorias, nem Sproul nem outros empresários e analistas locais entendem que o impacto do MERCOSUL sobre Miami será negativo. Afinal, o ponto de referência que ele tem aponta na direção oposta. O volume de negócios a partir da zona franca que administra saltou de US$171 milhões em 1980 para US$1,157 bilhão no ano passado. O Brasil tende pelo contrário a se tornar o mais importante parceiro
49290 comercial dos EUA na América Latina até o final do século, e o primeiro
49290 parceiro mundial no próximo século, estima Manuel Mencia, diretor de América Latina e Caribe no Conselho Beacon. Além disso, na medida em que o MERCOSUL estimula as economias da região, Miami deve se beneficiar. O raciocínio de Thad Adms, vice-presidente de América do Norte no Conselho Beacon, é que as exportações de produtos como computadores, partes de equipamentos, instrumentos avançados de medicina e outros, a partir daqui, devem aumentar (GM).