As conversações entre uruguaios e brasileiros para tentar implementar o MERCOSUL tiveram, na semana passada, um grande impulso, com a visita do ministro da Indústria, Energia e Mineração daquele país, Eduardo Ache Bianchi. Existem ainda várias diferenças que serão equacionadas e há fortes indícios de que os cronogramas acordados entre os quatro países que assinaram o tratado possam ser adiados. Além do setor automobilístico e de autopeças, o mais problemático entre Brasil e Uruguai, foram levantadas questões nos setores de defensivos agrícolas e de embalagens plásticas, principalmente filmes de PVC para leite. Os uruguaios alegam que, com a redução nas alíquotas de IPI para os plásticos nacionais, seu produto tornou-se caro para o Brasil e reivindicam tratamento diferenciado. O pleito, dizem, vem sendo analisado há nove meses, sem uma resposta brasileira. Já os empresários do setor de produtos químicos para agricultura alegam que as normas fitossanitárias brasileiras impedem as exportações de suas mercadorias. Elas seriam, a seu ver, excessivamente rígidas e burocráticas, mas os brasileiros alegam que a questão ecológica é o maior obstáculo para a compra dos produtos uruguaios. As possibilidades de intercâmbio mais concretas entre os dois países deverão ocorrer nas áreas de confecção, vestuário e tecelagem; alimentos e embalagens (houve reuniões com representantes da Arisco, Ocrim, Plasco, JPM e Matarazzo); transportes (VARIG, BM Transportes e Metropolitan); brinquedos, material de construção, borracha, carne e derivados; veículos e autopeças, metalurgia (encontros com Matarazzo, Hoecht e Garreta); produtos químicos (Sabará, Schering e Natura); e calçados. Segundo Ache, o número de produtos incluídos no programa PEC, assinado há 15 anos e que prevê alíquotas reduzidas ou isenção para o intercâmbio Brasil-Uruguai, poderá ser aumentado e, ao mesmo tempo, haver ampliação das cotas designadas atualmente, facilitando o intercâmbio comercial (GM).