COORDENAR AS POLÍTICAS CAMBIAIS

O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira defendeu, ontem, a necessidade de definir uma taxa de câmbio fixa, ou com uma pequena margem de variação, entre Brasil e Argentina, a fim de evitar maiores desequilíbrios comerciais entre os dois países. Segundo ele, esta é uma condição fundamental para a implementação do MERCOSUL. "A situação atual é inviável diante do déficit comercial da Argentina com o Brasil, estimado em US$1 bilhão este ano", ressaltou. No entender de Bresser Pereira, a coordenação de políticas cambiais entre os dois países será o aspecto mais importante dentro do tema da harmonização de políticas macro-econômicas dos países integrantes do MERCOSUL. Entre os economistas argentinos que participaram ontem, no Rio de Janeiro, do seminário Integração do Cone Sul", promovido pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (FUNCEX), existe o consenso de que o déficit comercial argentino, decorrente da sobrevalorização do peso, é insustentável. A recomendação unânime é no sentido de buscar uma paridade entre o peso e o cruzeiro. O economista Aldo Ferrer, da Universidade de Buenos Aires, lembrou que o déficit comercial argentino vem sendo compensado pelo ingresso de capitais no país. Mas alertou que essa entrada de recursos poderá ser interrompida se permanecer o atraso cambial. Dessa forma, não estariam descartadas futuros problemas no balanço de pagamentos da Argentina. Uma opinião também de consenso entre os participantes foi no sentido da necessidade de definição de uma política industrial para o MERCOSUL, tendo por base que o processo de integração vai permitir economias de escala na região. No entender dos especialistas, como a professora Marta Beckerman, da Universidade de Buenos Aires, uma política industrial para o MERCOSUL passa também pelas questões de aporte tecnológico e capacitação de recursos humanos, condições necessárias para o aumento da competitividade (GM).