BRASIL E COLÔMBIA VÃO ASSINAR ACORDO PARA AÇÃO ANTI-DROGA

O Brasil e Colômbia vão assinar um acordo que prevê ações conjuntas em seus territórios para deter a expansão do narcotráfico na Amazônia. O anúncio foi feito ontem, em Manaus (AM), pelo embaixador da Colômbia no Brasil, Guillermo Alberto Gonzalez Mosquera, durante reunião dos Altos Comandos das Forças Armadas dois dois países. Precavido diante da fuga da prisão do chefão do Cartel de Medelin, Pablo Escobar, que pode reaquecer as atividades do narcotráfico em toda a Colômbia, o governo desse país solicitou há duas semanas uma reunião ao governo brasileiro para combinar estratégias na área. Segundo o chefe do EMFA (Estado-Maior das Forças Armadas) do Brasil, general Antônio Luiz Rocha Veneu, o encontro foi aprovado pela Presidência da República, "até por se tratar de relações de rotina que as autoridades dos dois países vêm mantendo nos últimos anos". O acordo militar em Manaus será assinado no próximo mês, em Brasília, pelos três ministros militares brasileiros e o ministro da Defesa colombiano, Rafael Pardo. Na reunião de ontem, realizada no Comando Militar da Amazônia, os Altos Comandos dos dois países também discutiram o melhoramento das suas instalações militares nas áreas de fronteiras e procuraram identificar os pontos críticos na proteção do espaço aéreo da Amazônia, que serve atualmente de rota internacional do narcotráfico. Não é apenas o fantasma de Plabo Escobar que ronda as fronteiras do Brasil com a Colômbia, mas agora também o Cartel de Cáli, "que vem a ser mais poderoso do que o próprio Cartel de Medelin, por causa de suas atividades pouco claras, utilizando como fachadas muitas empresas brasileiras de exportação". A afirmação é o secretário da Polícia Federal, delegado Romeu Tuma. Ele concorda que a reunião entre as Forças Armadas brasileiras e colombianas vai reforçar a vigilância da Amazônia. Assegura, no entanto, que existe uma atividade preventiva na área "anterior à fuga de Pablo Escobar", notadamente nos pontos estratégicos entre os dois países, onde há dois anos vem operando uma rede de informações e agentes de inteligência, detectando e fazendo apreensões importantes de drogas (JB).