ARISTIDES PROMETE "IR FUNDO" NA APURAÇÃO

O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, disse ontem que vai investigar o presidente Fernando Collor se considerar insatisfatório o relatório final da CPI. "Eu vou a fundo. Se não tiver nada (no relatório), vou procurar até encontrar. Se não encontrar é porque não tem nada mesmo", declarou. Ele evitou falar sobre os efeitos de eventual denúncia contra o presidente. Junqueira também disse que se as investigações apontarem indícios de crimes comuns praticados por Collor, certamente haverá também crime de responsabilidade. Segundo o procurador-geral, já há indícios suficientes nos autos da Polícia Federal para incriminar o empresário Paulo César Farias e Cláudio Vieira, ex-secretário particular do presidente Collor. A subcomissão de bancos da CPI avalia que as despesas do presidente superaram US$5 milhões desde o início do governo. Este valor é maior do que o empréstimo de US$3,75 milhões que Vieira afirma ter feito no Uruguai para a campanha de Collor. O dinheiro teria sido usado para pagar as contas do presidente. Flávio Rabelo, da construtora Tratex, disse ontem à CPI ter pago US$200 mil a PC em troca de informações antecipadas sobre medidas econômicas. Ele foi chamado a explicar nota emitida pela empresa de PC à Tratex. O executivo disse que PC foi procurado porque participou da campanha de Collor, conhecia a equipe da ex-ministrá Zélia Cardoso de Mello e, assim, poderia dizer qual seria a linha do governo (FSP).