PÓLO DO PARANÁ QUER ATRAIR AS INDÚSTRIAS DO MERCOSUL

Estimular a transferência de empresas paulistas (especialmente as instaladas na região do ABC) para Curitiba (PR) e criar um pólo industrial na cidade, voltado para os países do MERCOSUL. Estes são algumas das metas da nova presidente da Associação Comercial do Paraná (ACPR), Maria Christina de Andrade Vieira, a primeira mulher a ocupar este posto no Brasil. Diretora da área de marketing cultural do Bamerindus e mulher do dono do banco, senador José Eduardo Andrade Vieira (PTB-PR), Maria Christina vêm como fatores positivos para atrair empresas a facilidade de escoamento da produção pelo porto de Paranaguá e os preços dos imóveis, 50% mais baixos que os de São Paulo. Maria Christina conta ainda que o nível de emprego está praticamente estabilizado no Paraná. Os empresários da região, diz, estão bastante animados com a formação do MERCOSUL. A prefeitura de Curitiba reserva um milhão de m2 para a instalação do pólo de indústrias argentinas. Segundo ela, o Paraná está localizado num eixo importante no MERCOSUL. O estado espera a movimentação de US$4 bilhões no mercado comum, especialmente com a venda de trigo, soja, milho, feijão e arroz. O pólo industrial de Curitiba está sendo criado para abrigar empresas nacionais e estrangeiras que pretendam atuar no âmbito do MERCOSUL. A iniciativa está sendo tomada pela prefeitura da cidade, pelo governo do estado e pelo empresariado privado, como contou o novo vice-presidente da ACPR, Odone Martins. Um número significativo de negócios entre empresas brasileiras e
49253 argentinas já foi celebrado no Paraná, acrescentou Martins, citando a fabricante de motores Zanella, que se associou à brasileira Motores Branco, e a instalação da fábrica de fraldas descartáveis Consorte, criada a partir de uma "joint venture" entre empresários paranaenses e argentinos. O empresário Sérgio Prosdócimo, presidente da Umuarama Administração de Bens e Participações S/A, fabricante das marcas Prosdócimo, Sanyo, Wap e White-Whestinghouse, também está trabalhando voltado para o MERCOSUL. Estamos em entendimento com uma indústria argentina, estudando a
49253 possibilidade de formação de uma joint venture, revelou, sem dar detalhes. Segundo Prosdócimo, suas empresas estão operando com 60% de ociosidade da capacidade instalada, produzindo 40 mil unidades por mês (60 mil em 1991). No acumulado dos sete primeiros meses, houve uma queda de 60% reais no faturamento de suas empresas em comparação com igual período de 1991. Entretanto, esses resultados negativos foram minimizados com o crescimento das exportações, que no ano passado representavam 3% da produção e hoje correspondem a 20%. "Até o final do ano teremos um crescimento de 500% sobre as exportações de 1991", destacou, acrescentando que 60% das vendas externas são destinadas à Argentina (O Globo) (FSP) (GM).