Na busca de recursos para sustentar a campanha contra o Impeachment" no Congresso, o PFL deseja Cr$6 trilhões do Fundo de Assistência ao Trabalhador (FAT) e a sobra de caixa de algumas estatais lucrativas, que fica guardada no Tesouro, à espera de autorização do governo para ser gasta. O FAT é formado por 60% da arrecadação do PIS/Pasep, para financiar o programa de seguro-desemprego do Ministério do Trabalho, e já teve de ceder parcelas, no último ano, para órgãos do governo em dificuldades financeiras. O problema é que, do ponto de vista do Tesouro, usar o dinheiro do FAT é a mesma coisa que vender um título no mercado ou tomar um empréstimo no banco, avaliam os técnicos do Ministério da Economia. Tudo isso aumenta o déficit público e compromete as metas do programa, dizem. Já o uso da sobra de caixa das estatais para outros gastos pune as empresas mais eficientes, capazes de produzir lucros maiores do que o previsto para financiar seus programas de investimentos. É o equivalente a ter uma administração financeira incompetente na empresa, compara um técnico. O ministro da Saúde, Abid Jatene, disputa o dinheiro do FAT com o ministro da Ação Social, Ricardo Fiúza. O Ministério da Saúde tomou emprestado do FAT cerca de Cr$860 bilhões (cifra atualizada), em 1991, para pagar hospitais conveniados, e pede Cr$5 trilhões para manter as contas em dia. Já Fiúza quer dinheiro para tocar a máquina do Ministério, além de financiar seus programas (JC).