O professor José Goldemberg declarou ontem que um fator determinante na sua saída do Ministério da Educação foi a constatação de que há um submundo no governo. "Minha família e meus amigos são pessoas honradas", disse, "não estou acostumado a ir a festas de contrabandistas, doleiros ou gente desse tipo". Ele acredita que o presidente Fernando Collor fez, no início de seu governo, um grande esforço para modernizar o país. Mas, com o passar do tempo, passou a preocupar-se cada vez mais com sua base de sustentação política. "Essa crise que a CPI está investigando se baseia no interesse de ganhar dinheiro, em corrupção mesmo", opinou. O novo ministro da Educação, deputado Eraldo Tinoco (PFL-BA), afirmou ontem, depois do primeiro encontro oficial com o presidente Collor, que seu gabinete estará sempre aberto aos parlamentares. Mesmo reconhecendo a falta de recursos, Eraldo disse que pretende dar ênfase à qualidade de ensino nas universidades, ampliar o acesso de alunos carentes a essas escolas e interferir na área de alfabetização. "O ensino fundamental está muito ruim", argumentou. Sócio de uma empresa de transportes de cargas e uma de administração imobiliária-- inaugurada no último dia três de julho--, o novo ministro da Educação, Eraldo Tinoco Melo, 49 anos, também é acionista majoritário da rádio Cristal Ltda., em Itacaranha (BA), adquirida em 1987, quando o governador Antônio Carlos Magalhães era ministro das Comunicações. Embora sua experiência acadêmica estivesse restrita às aulas de teoria geral da administração como professor-assistente do curso, em 1979 Tinoco foi convidado pelo governador ACM a assumir a Secretaria de Educação do estado, onde permaneceu até 1982. No período em que ocupou a Secretaria, na segunda administração de ACM, Tinoco foi alvo de várias denúncias de associações de professores e sindicalistas. Eraldo Tinoco também foi deputado constituinte em 1988, e seus principais votos foram os seguintes: estabilidade no emprego (contra), presidencialismo (a favor), mandato de cinco anos para Sarney (a favor), reforma agrária (contra) e direito de greve para funcionários públicos (contra) (O ESP) (FSP).