GOLDEMBERG DEIXA MINISTÉRIO DE COLLOR

A falta de apoio do governo à política educacional e os últimos acontecimentos envolvendo o presidente Fernando Collor levaram o cientista José Goldemberg a pedir demissão, ontem, do cargo de ministro da Educação. Goldemberg substituiu Carlos Chiarelli no Ministério, que será ocupado agora pelo deputado federal Eraldo Teixeira, do PFL da Bahia. Prestigiado com duas nomeações para interinidade durante este ano-- uma no Ministério da Saúde e outra na Secretaria de Meio Ambiente--, Goldemberg mostrava sinais de desânimo desde o início de junho, quando perdeu o projeto dos CIACs para Carlos Garcia. O "biministro", como ficou conhecido no início do ano ao acumular as pastas, já não trabalhava mais com a mesma disposição. Chegou a nomear um representante para assinaturas de convênios com os estados e o Fundo Nacional de Desenvolvimento para Educação (FNDE). Segundo um assessor do ex-ministro, Goldemberg vinha reclamando da falta de verbas para a Educação. "O governo só se preocupa com o déficit público e o combate à inflação. Os outros setores, como Educação e Saúde, não estão tendo as atenções que merecem e devem ter", confidenciou Goldemberg ao assessor. O ministro, conforme explicou esse assessor, estava irritado também com as recentes denúncias de corrupção dentro do governo envolvendo o empresário Paulo César Farias com o Palácio do Planalto. Em São Paulo, o ex-ministro disse que a razão de sua demissão foi proque entrou no governo para ajudar ao povo e o governo ao qual se juntou há dois anos não é mais o mesmo. Segundo ele, o que era um projeto para ajudar o povo acabou se transformando num governo muito mais preocupado com a própria sobrevivência do que com a solução dos problemas do país. E nessas condições qualquer pessoa poderia realizar seu trabalho (JB).