MARCÍLIO NEGA PEDIDO DE VERBA DO PFL

O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, ganhou ontem o primeiro round no embate com os ministros do PFL, que querem verbas para garantir os votos no Congresso Nacional contra um eventual processo de Impeachment" do presidente Fernando Collor. Depois de se reunir com o presidente, Marcílio anunciou apenas a liberação de US$5,2 bilhões (Cr$22,3 trilhões) em recursos para a safra agrícola, algo que já estava previsto. O pleito do ministro da Ação Social, Ricardo Fiúza, de Cr$4 trilhões para a construção de casas populares, ficou sem resposta. Marcílio disse que ainda não foi comprovada a compatibilidade dessa medida com o programa econômico. Aparentemente, o ministro da Economia conseguiu contornar as pressões políticas por mais gastos do Estado, sem entrar em claro confronto com os ministros das demais pastas, sobretudo os vinculados a partidos políticos que hoje sustentam o governo Collor. "O presidente da República voltou a reafirmar seu total apoio ao programa econômico", disse o ministro. Marcílio não conseguiu, contudo, extrair do presidente o aval para cortar cerca de Cr$4,8 trilhões de despesas do orçamento da União para este segundo semestre, diante da frustração das receitas tributárias. Segundo o ministro, prosseguirão os estudos para verificar tanto a viabilidade de mais verbas para a área social quanto para cortar os gastos públicos (FSP) (GM).