O ex-ministro Antônio Rogério Magri perdeu sua histórica aliança com o movimento sindical norte-americano, representado pela sigla AFL-CIO. A diretoria da CUT (Central Única dos Trabalhadores) iniciou no último dia primeiro sua visista oficial aos EUA, onde, por duas semanas, terá uma série de contatos diplomáticos com o comando da AFL-CIO para quebrar o gelo e plantar a semente de uma nova relação política. Hoje, a AFL-CIO mantém relacionamento no Brasil com a CGT (Central Geral dos Trabalhadores), presidida por Francisco Canindé Pegado. Segundo cálculos de Gilmar Carneiro dos Santos, secretário-geral da CUT, os norte-americanos remetem cerca de US$1 milhão por ano para a CGT financiar cursos de treinamento de sindicalistas do Instituto Cultural do Trabalho (ICT), velho órgão utilizado para formar quadros que serviram de apoio aos governos militares junto à classe trabalhadora. Usufruir de uma fatia desse dinheiro também faz parte dos planos da CUT. "No entanto, mais que uma fatia desses dólares, queremos abrir uma porta para acabar com a postura hostil do governo dos EUA em relação a nós da CUT e também a frieza histórica do relacionamento com os sindicalistas da AFL-CIO", diz Carneiro. A AFL-CIO está ligada à CIOSL, central internacional dos trabalhadores com idéias social-democratas, representando a linha mais conservadora dentro dessa entidade. "Os norte-americanos continuam sendo os mais duros dentro da CIOSL", analisa Carneiro. "Sempre tivemos, por isso, um pé atrás em relação a eles, e eles com a gente. Mas as coisas no mundo estão em mudança e os americanos perceberam que a CUT representa uma força importante", disse (JB).