EMPRESAS AUMENTAM GANHO DE ESCALAS DOS PRODUTOS

A recessão não provocou apenas a redução de tamanho das empresas, de 1990 para cá. Obrigadas a engrossarem as suas exportações e a conviver com um mercado interno mais enxuto, as companhias privadas trataram de aumentar os ganhos de escala dos produtos, introduzindo técnicas modernas. A palavra competitividade, tão presente no Japão, começa a virar moda no país. Uma pesquisa do Instituto de Economia Industrial da UFRJ, feita junto a 184 empresa, mostra os seguintes dados: uma indústria de calçados revela que a produtividade por trabalhador subiu de 2,2 pares por dia, em 1988, para 4,7 pares, em 1992. Já uma agroindústria conseguiu, com a automação, reduzir de 10 para oito toneladas o volume de vapor necessário para produzir o seu produto. Na sondagem, atualizada com entrevistas de 25 companhias, foram ouvidas a Ciba-Geigy, Citrosuco, Nestlé, Shell Brasil, General Motors e a Polisul, entre outras. De modo geral, todas apontam que foram empurradas a serem mais competitivas por conta do encolhimento do mercado. O curioso no trabalho, porém, é que os níveis gerências opõem fortes resistências às mudanças. Isso porque os ganhos de produtividade costumam ser obtidos com a participação dos trabalhadores. Os Círculos de Controle de Qualidade (CCQs) deram um grande impulso no milagre japonês. A pesquisa, sem querer, acabou detectando que ainda existe um forte conteúdo autoritário dentro das mais modernas empresas do país (O Globo).