Uma auditoria promovida pelo TCU (Tribunal de Contas da União) a pedido da Procuradoria da República no Rio de Janeiro identifica "vultosas perdas de recursos públicos" em investimentos que considera "desnecessários, ineficazes e ineficientes" no programa de construção das usinas nucleares brasileiras. O relatório final da auditoria manifesta preocupação principalmente com os gastos feitos até agora com as usinas Angra 2 e 3 e determina que o Ministério das Minas e Energia e Furnas Centrais Elétricas, responsável pelas obras, reavaliem a construção dessas duas unidades. O relator da auditoria, ministro Luciano Brandão Alves de Souza, considera a evolução histórica do projeto das usinas nucleares confusa e indefinida. Para ele, "as instituições gestoras carecem de definição de estratégias administrativas e operacionais sólidas". O resultado da inspeção coincide com o anúncio feito no mês passado pelo ministro das Minas e Energia, Pratini de Moraes, de que as obras de Angra 2 vão continuar. A inspeção do TCU apurou que até junho de 1991 o Brasil já havia investido em Angra 1 US$1,15 bilhão (Cr$4,8 trilhões) em valores de hoje. Com a construção de subestações e linhas de transmissão para a energia gerada pela usina, o país gastou, ainda, mais US$4,71 milhões (Cr$19,49 bilhões). Além desses gastos, o TCU aponta uma série de outras despesas não calculadas pela inspeção, que deveriam ser acrescidas ao custo de construção da usina. Entre elas estariam desembolsos para modificações feitas em dois geradores a vapor, renovação das luvas térmicas do sistema primário de geração e troca de transformadores. A inspeção verificou ainda a existência de dívidas vinculadas à construção das três usinas nucleares programadas pelo país (Angra 1, 2 e 2) em valores de junho de 1991, sob a responsabilidade de Furnas, de Cr$82,1 bilhões, ou US$263,3 milhões (Cr$1,88 trilhão a preços atuais) referem-se a despesas com o combustível nuclear comprado por Furnas à INB para Angra 1. O TCU constatou que a despesa operacional de Angra 1, desde a sua construção, em 1970, até agosto de 1991, chegava a Cr$17,7 bilhões, o que equivale a US$56,7 milhões (Cr$234,6 bilhões a preços de hoje). Isso resulta no valor médio mensal de manutenção de Angra 1 da ordem de Cr$2,2 bilhões, ou US$5,6 milhões (Cr$23,15 bilhões, em valores atuais). O custo, informou o TCU, inclui a manutenção da infra-estrutura montada para Angra 2 e 3. Para construir Angra 2 e 3, o Brasil tomou no exterior Cr$57,1 bilhões, a preços de julho de 1991, hoje US$183 milhões (Cr$756,9 bilhões). Neste empreendimento, Furnas entrou com Cr$361,8 bilhões, a preços de hoje; a União com Cr$6 trilhões, incluindo Cr$4,6 trilhões da ex-NUCLEBRÁS; Cr$1,3 trilhão do Tesouro Nacional e mais Cr$54,3 bilhões do Kreditanstalt F-250 e do Dresdner Bank A-G (O ESP) (JC).