A repetição da tragédia da baía de Minamata, no Japão-- onde centenas de pessoas morreram contaminadas por metilmercúrio-- na Amazônia pode estar mais próxima do que o governo brasileiro imagina. Na localidade de Brasília Legal, a 900 km de Belém, no Pará, às margens do rio Tapajós, biólogos e químicos da Universidade de Kumamoto, do Japão, e pesquisadores brasileiros, chegaram a dados alarmantes. Em trechos distintos do rio Tapajós-- Jacareacanga, Brasília Legal e Ponta de Pedras--, a contaminação mercurial em seres humanos chega a níveis próximos aos verificados em Minamata, quando houve a tragédia. Na pequena comunidade de Brasília Legal, onde residem 683 pessoas às margens do rio Tapajós, os pesquisadores descobriram que, em uma das pessoas contaminadas, os níveis de mercúrio-- utilizado nos garimpos da região-- atingiram 47 ppm (partes por milhão) em análises laboratoriais feitas em cabelo. Em Minamata, os sintomas do mercúrio metiizado entre humanos apareceram quando o nível atingiu 50 ppm. Entre os ribeirinhos examinados, em outra localidade do Tapajós, Ponta de Pedras, 85% das pessoas examinadas apresentavam média acima de 10 ppm. O aceitável no ser humano, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é de apenas 2 ppm (JB).