VIEIRA RECORREU AO SUBMUNDO URUGUAIO

Um corretor de câmbio falido (Emílio Bonifacino), um tabelião desacreditado em seu meio (Rodolfo Delgado) e um empresário especialista em "lavar dinheiro" do exterior (Ricardo Forcella, dono da Alfa Trading). Estes personagens, que habitam o submundo financeiro de Montevidéu (Uruguai), são os únicos pontos de sustentação da versão apresentada pelo ex-secretário do presidente Fernando Collor, Cláudio Vieira, para a origem do dinheiro consumido pela família de Collor. Para especialistas do mercado financeiro de Montevidéu, o empréstimo de US$5 milhões alegado por Vieira é uma "solução de afogado", a prova de que ele não tinha outra alternativa. A fragilidade dos documentos apresentados, indicam, na visão dos especialistas, que Vieira cometeu um ato de desespero. O sigilo bancário e a legislação peculiar do Uruguai que protege as empresas de lavagem de dinheiro podem fazer com que a verdadeira história jamais seja comprovada, mas a recusa dos personagens da conexão uruguaia em esclarecer a origem dos US$5 milhões e o sumiço do doleiro Najun Turner, a ponta brasileira da conexão, não deixam dúvida de que a operação foi montada (FSP).