O MERCOSUL já é uma realidade que atrai um número crescente de empresas brasileiras interessadas não apenas em enviar seus produtos para os países vizinhos como comprar deles. Só no ano passado, o comércio entre Brasil e Argentina somou US$2,5 bilhões, segundo dados do governo argentino. Em 1995, quando serão derrubadas todas as barreiras comerciais entre os quatro países, a previsão é de que os dois grandes membros do MERCOSUL negociem entre si cerca de US$5 bilhões ao ano. As relações comerciais do Brasil e Uruguai não são tão significativas, mas há quase que um equilíbrio nas trocas dos produtos. O Brasil deve exportar para o Uruguai cerca de US$100 milhões este ano e o Uruguai deve vender para o Brasil cerca de US$80 milhões, informa Néstor Gómez Alcorta, presidente da Câmara de Indústrias do Uruguai. Segundo ele, os produtos uruguaios mais consumidos no Brasil são arroz, produtos químicos e carnes. Já os produtos brasileiros mais procurados pelos uruguaios são os cereais. A Vicunha, um dos grandes grupos brasileiros do ramo têxtil, está desde o início deste ano produzindo uma linha exclusiva de tecidos para atender os argentinos. A empresa já exporta fibras, fios e tecidos de viscose para a Argentina e Uruguai. Outro nome de peso do setor, a São Paulo Alpargatas, acaba de exportar para a Argentina um lote de 40 mil peças (calças e camisas) com a marca US Top. Quem vai distribuir os produtos é a empresa Salabur. Em 93, um total de 250 mil peças deverão ser embarcadas. O diretor-superintendente do setor de confecções da empresa, Persio Dalle Piagge, diz que a Alpargatas não enxerga o MERCOSUL apenas como um potencial e grande comprador de seus produtos. "Também queremos comprar matérias-primas e produtos acabados dos países vizinhos. O Uruguai é um grande fabricante de malhas de tricô, calças de lã, paletós e jaquetas. Não faz sentido fazer esses produtos aqui", diz. A Neugebauer S/A, do grupo Fenícia, pensa da mesma forma. Fabricante de chocolates, a empresa vai comprar da uruguaia Pernigotti um produto chamado Merenda, um chocolate recheado com flocos de arroz e milho. Exportar também importa para a Neugebauer. Hoje, a empresa já fatura cerca de US$15 mil ao mês com a venda de bombons, barras de chocolate e outros produtos para clientes no Uruguai. Além disso, está negociando com empresários argentinos. "O MERCOSUL é isso. As empresas têm ao mesmo tempo que comprar e vender", diz Carlos Roberto Miguel, diretor- superintendente da empresa. Uma prática que começa a ser usada pelos empresários que estão no MERCOSUL é a de integração das linhas de produção. A Hoechst do Brasil, do ramo químico, já faz pigmentos e corantes em conjunto com fábricas da Argentina, no Uruguai e Paraguai. "Assim estamos melhorando nossa produtividade", afirma Martin Klinger, diretor da empresa. Segundo ele, a idéia da Hoechst é integrar as linhas de produção também com as fábricas da Venezuela e do México. A empresa já está desde o início do ano exportando para a Argentina parte da produção de corantes e pigmentos e, ao mesmo tempo, importando outros tipos daquele país apra complementar as linhas. As indústrias de autopeças estão no mesmo caminho. Luis Panasco, vice- presidente da Câmara de Fabricantes de Componentes Automotores do Uruguai, que reúne 70 empresas com faturamento próximo de US$100 milhões, informa que os empresários uruguaios e brasileiros do setor estão em fase adiantada de discussões. "Vai funcionar como uma espécie de troca de componentes, assim como já fazemos com a Argentina", diz Cláudio Vaz, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores. Miguel A. Rocca, presidente da Câmara de Fabricantes de Automotores do Uruguai, formada por nove montadoras, está negociando com a Autolatina, "holding" da Ford e da Volkswagen, a venda de alguns veículos especiais. O Uruguai monta 15 mil carros por ano com as marcas Volks, General Motors, Fiat, Toyota, BMW, Mercedes-Benz, International, Scania, Renault, Citroen e Peugeot. "Queremos abastecer o Brasil", diz (FSP).