A chamada "Operação Uruguai"-- um suposto empréstimo de US$3,75 milhões ao ex-secretário Cláudio Vieira-- não explica definitivamente as despesas do presidente Fernando Collor e seus parentes. Três membros da CPI do caso PC Farias com acesso à investigação de contas bancárias disseram ontem que os depósitos na conta da secretária Ana Acioli superam a quantia que Cláudio Vieira alega ter conseguido junto à empresa uruguaia Alfa Trading. O cálculo ainda não incluiu os cheques depositados pelo "fantasma" José Carlos Bonfim, que foram recebidos ontem pela CPI, nem os da EPC, uma das empresas de PC, emitidos através do Banco Rural. Para o deputado Aloízio Mercadante (PT-SP), não há dúvida de que "a Operação Uruguai foi uma fraude para encobrir furos já detectados nas investigações da Comissão de Inquérito". Um desses furos seriam os depósitos dos cheques assinados pelo próprio PC na conta da primeira-dama Rosane Collor (O Globo).