TERMINA A GREVE NO IBGE

Os funcionários do IBGE estarão voltando ao trabalho no próximo dia três, despois de uma greve que durou 66 dias. Assembléia realizada ontem, no Rio de Janeiro, aprovou indicativo para o retorno ao trabalho. Com o fim da greve, dentro de sete dias o Instituto deverá estar divulgando as taxas de inflação de maio. Quanto aos meses de junho e julho-- em que a maior parte dos preços para cálculo dos índices não foi coletada-- só a partir da análise dos dados que foram apurados, o IBGE terá condições de dizer qual é o recurso técnico que será usado para a elaboração das taxas. Os funcionários do Instituto conseguiram um renquadramento funcional com aumento entre 12% e 66%, com o salário mais baixo na casa passando de Cr$312 mil para Cr$520 mil. Além disso, apenas nove dias de greve serão descontados. A comunidade científica está sugerindo que o governo federal se empenhe, de forma firme e decisiva, em buscar uma solução para a crise que tomou conta do IBGE e que não se encerra com o fim da greve. Vinte e uma entidades assinam manifesto em defesa do IBGE, lançado ontem na Faculdade de Economia e Administração (FEA) da UFRJ, em iniciativa da Associação Brasileira dos Estudos do Trabalho (ABET). Entre elas está a SBPC. "O IBGE está em crise. (...). A causa básica é a política deliberada do governo federal de esvaziamento do setor público. (...). A sociedade assiste com preocupação a ameaça de perda do imenso patrimônio de informação e conhecimento acumulado pelo IBGE ao longo de sua história", diz o manifesto. Em seis, dos últimos 14 meses, os funcionários do IBGE estiveram em greve. Nos últimos seis anos, o Instituto teve seis presidentes (O Globo).