A secretária Sandra Fernandes de Oliveira apresentou ontem à CPI do caso PC Farias indícios de que o contrato da "Operação Uruguai" foi escrito em São Paulo. A versão pode desmontar definitivamente o depoimento de Cláudio Vieira sobre o pagamento das despesas do presidente Fernando Collor. O ex-secretário do presidente havia declarado que as contas eram pagas com dinheiro de um empréstimo tomado em 1989 no Uruguai. Sandra disse ter ouvido trechos de uma reunião sigilosa na ASD, empresa de Alcides Diniz e onde trabalha, em São Paulo. Do encontro, além de Diniz, participaram o diretor jurídico da ASD, Arsênio Correa, e outros advogados. "No final, eles comentavam que faltava definir onde seria elaborado o contrato", declarou sobre o documento do empréstimo. A secretária confirmou à CPI que assistiu à elaboração de uma minuta, com esboços e cláusulas em português, do contrato referente ao empréstimo de Vieira. Sandra deixou claro também que Alcides Diniz tinha interesse em ajudar o presidente Collor, para, em troca, desengavetar dos órgãos oficiais o projeto de construção de um complexo empresarial e de hotelaria na Marginal Pinheiros, em São Paulo. Segundo Sandra, PC Farias intermediava pedido de empréstimo que a ASD fez à Previ (Caixa de Previdência do Banco do Brasil) para construir o complexo hoteleiro e de escritórios. A comissão pela negociação seria de 12%. O advogado Valdo Hallack, chamado a dar parecer sobre o empréstimo, disse que desconhece a origem do contrato apresentado por Vieira. Disse também que não teve acesso a documentos importantes da transação. Na opinião dos advogados da "Operação Uruguai", Vieira pediu ao doleiro Najun Turner que assumisse responsabilidade pelos depósitos de "fantasmas" na conta da secretária de Collor, Ana Acioli. Corretores de câmbio de Montevidéu disse que pode ter havido falsificação nos boletos que registram a conversão de US$3,7 milhões para cruzados novos em abril de 1989. Os boletos foram levados por Vieira à CPI como uma das provas de que contraiu um empréstimo no Uruguai. A secretária Sandra de Oliveira entregou à CPI os números de sete contas bancárias de José Roberto Nehring Cesar, dono da Brasils Garden. Estes números contariam de um faz enviado por Cláudio Vieira para a empresa de Alcides Diniz, a ASD. A Brasils Garden foi a responsável por uma reforma na casa do presidente Collor, no valor de US$1 milhão, que teria sido paga por PC Farias. Em apenas uma das contas, no banco Safra, Nehring Cesar movimentou Cr$1,7 bilhão no último dia 29. A Polícia Federal informa que ele está desaparecido desde julho. Em seu depoimento ontem à CPI, o advogado Valdo Hallack disse ter sido procurado por Nehring Cesar para falar sobre o esquema de contas "fantasmas" do esquema PC (FSP) (O Globo) (JB).