A denúncia de que o secretário-geral da Rio-92, Maurice Strong, teria ficado com US$50 mil destinados ao Comitê Intertribal foi desmentida por lideranças indígenas e pelo Fórum Brasileiro das ONGs, acusadas de apoderarem também de US$700 mil dos índígenas. A denúncia foi feita pelo índio Álvaro Tucano, um dos coordenadores da Conferência Mundial dos Povos Indígenas, realizada durante a Rio-92 na Aldeia Kari-Oca. Em Brasília, a embaixada da Holanda informou que o valor destinado aos índios foi inferior aos US$1 milhão, que o índio tucano atribui. A acusação do índio foi atenuada ontem pelo coordenador regional do comitê, Idjarruli Karajá. Segundo ele, o encontro dos povos da floresta recebera uma promessa de US$900 mil do governo holandês, mas esse dinheiro acabou se reduzindo a US$40 mil depois que várias ONGs procuraram essa fonte de recursos ao saber da possibilidade de liberação para os índios. O Itamaraty também comentou a denúncia do índio Álvaro Tucano. O Itamaraty alegou que não tem qualquer relação com o fato, já que foi o GTN (Grupo de Trabalho Nacional) quem cuidou da parte de organização da Rio-92. Em Genebra, Strong disse que acusação é "obscena" e desafiou Tucano a provar. Segundo ele, o orçamento da ONU para a Rio-92 não previa um centavo para os índios. Strong disse que ele, por desejo de apoiar os índios, ajudou a levantar fundos (JC) (O Globo).