O Brasil deve obter um superávit no balanço de pagamentos deste ano. Os números do ano passado, divulgados ontem, já demonstram uma queda de 47% no déficit em relação a 1990. O resultado deveu-se a uma redução dos serviços da dívida e a um incremento do ingresso de capital externo no país. No ano passado, o aumento no ingresso de divisas ficou centrado nos três últimos meses do ano, e a tendência se manteve até agora (seja através de investimentos em bolsa, em "commercial papers" ou bônus). As perspectivas de entrada de moeda neste ano são boas, e o novo balanço já vai trazer o resultado contábil do refinanciamento acertado com o Clube de Paris. Com o acordo, o Brasil conseguiu adiar os desembolsos dos atrasados do ano passado e deste (no total de US$9,6 bilhões). Apenas esta diferença já seria capaz de fazer um superávit contábil no balanço. O déficit de 1991 ficou em US$4,6 bilhões, considerados US$4,7 bilhões de atrasados ao Clube (entre juros e amortização). O déficit de 1991 foi financiado principalmente pelo acúmulo de atrasados no total de US$8,2 bilhões, compensados em parte por liberações aos bancos credores (US$2 bilhões) referentes ao refinanciamento de juros atrasados de 1989 a 1990, além de pagamentos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), de US$590 milhões. A acumulação líquida (total de atrasados no ano) ficou em US$5,6 bilhões. A perda de reservas para financiar o déficit foi de US$369 milhões. A redução no déficit aconteceu porque houve uma queda nos volumes enviados ao exterior (como pagamento de juros e remessa de lucros e dividendos) e um aumento no dinheiro que entrou no país (principalmente através de transações unilaterais). O país foi beneficiado com uma tendência internacional de queda na taxa de juros no ano passado e o volume de juros devidos caiu de US$10,86 bilhões em 90 para US$9,49 bilhões (os juros líquidos devidos foram de US$8,62 bilhões, porque o país obteve uma receita de US$872 milhões com aplicações das reservas cambiais). Os recursos transferidos como remessas de lucros caíram ainda mais: passaram de US$1,5 bilhão para US$665 milhões. Foi registrado ainda um grande aumento nas transferências unilaterais (com doações e transferência de patrimônio para o país). Em 90, este tipo de transferência contabilizou US$834 milhões e passou para US$1,5 bilhão no ano passado. O balanço de pagamento do ano passado registra ainda um saldo favorável de US$170 milhões de investimentos diretos (incluindo aplicações brasileiras no exterior e estrangeiras no país). Os novos empréstimos ao país alcançaram quase US$4 bilhões, muito acima dos US$911 milhões do ano anterior. O volume de recursos enviado ao país por organismos internacionais registrou uma queda. Era de US$1,9 bilhão e ficou em US$1,6 bilhão em 91 (GM) (JC) (O Globo).