INDÚSTRIAS DE ARTEFATOS DO MERCOSUL PROCURAM ADAPTAR-SE

O MERCOSUL vai levar as 25 empresas uruguaias de borracha e derivados a adotar a reconversão industrial, se especializando na produção de peças técnicas (juntas, anéis e gaxetas), em pequena escala, enquanto peças maiores, como pneus e tubos, serão feitas por empresas brasileiras e argentinas. Em contrapartida, as 700 fábricas do Brasil vão poder se utilizar da experiência uruguaia no mercado internacional, formando "joint ventures" para atuar livremente no comércio exterior. As informações foram dadas ontem, em São Leopoldo (RS), pelo presidente da Câmara da Indústria da Borracha e Afins do Uruguai, Juan Rodin~o. Segundo ele, o país vizinho tem larga tradição no comércio internacional da matéria-prima, pois, por não ser produtor, o Uruguai importa todas as 4,6 mil toneladas de borracha natural e sintética consumidas no ano. Da mesma forma, devido ao pequeno consumo de produtos acabados, exporta para Argentina, Brasil e Europa cerca da metade de sua produção de industrializados, que vão de pneumáticos e retentores, somando cerca de 2,5 mil toneladas ao ano. Rodin~o admitiu, porém, que a integração das empresas do setor no MERCOSUL ainda dependerá da equalização da tributação, de salários e de insumos como eletricidade e água. Somente o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para produtos semi-acabados de borracha é de 22%, ao passo que o ICMS médio cobrado no Brasil é de 17%. Outro aspecto que deve ser resolvido entre os dois países é o Protocolo
49107 de Expansão Comercial, acrescentou o presidente do Sinborsul (Sindicato da Indústria de Artefatos de Borracha no Estado do Rio Grande do Sul), Geraldo Rodrigues da Fonseca, lembrando que empresas uruguaias e brasileiras estão operando em desacordo com a legislação do acordo. Pelo PEC, o Brasil pode importar uma cota de folhas de borracha do Uruguai com isenção de taxas, além de outros derivados já beneficiados (GM).