A falta de regras complementares, de definição da questão das salvaguardas e da fixação de uma tarifa externa comum é o principal obstáculo entre os quatro países que formam o MERCOSUL. A opinião é do embaixador Paulo Nogueira Batista, que preside o grupo MERCOSUL do Fórum Paulista de Desenvolvimento. Nogueira Batista falou ontem, em São Paulo, a 55 empresários uruguaios que acompanharam a visita do ministro da Indústria, Energia e Mineração daquele país, Eduardo Ache Bianchi. Para o embaixador, os prazos estabelecidos no Tratado de Assunção foram "excessivamente curtos e ambiciosos". Com ele concorda o governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury, que ressaltou, entretanto, que os prazos são "apenas uma referência". "Tudo será resolvido pelo mercado", disse. Os uruguaios, ao contrário, mostraram-se mais preocupados com as consequências da formação de blocos econômicos, ressalvando que há certos cuidados a serem observados. "Não podemos permitir um selvagem protecionismo para dentro e uma cínica abertura para fora", disse o presidente da Câmara Industrial do Uruguai, Néstor Gómez Alcorta. O setor automobilístico foi o que mais reclamou no encontro de ontem. O presidente da câmara de produtores de autopeças, Luis Panasco, disse que não basta ter preço e qualidade, pois há barreiras invisíveis a serem transportadas. Ele mencionou o caso dos radiadores (produto que ele mesmo fabrica), que enfrentam restrições no Brasil para os modelos para colheitadeiras e tratores, enquanto a venda para automóveis é liberada. Se a indústria automobilística uruguaia vai morrer com a integração,
49083 que seja em boa lei, disse. Segundo ele, as possibilidades da indústria uruguaia são maiores junto à Argentina do que com o Brasil-- uma vez que os argentinos já investiram dinheiro na instalação de fábricas no Uruguai mas até agora o mesmo não aconteceu com o Brasil. O problema, reconhecem os empresários brasileiros, é que a indústria nacional enfrenta elevada ociosidade, o que dificulta o processe de abertura ao exterior. "Estamos analisando a proposta uruguaia de pedido de abertura", disse o diretor do SINDIPE>AS, Elias Mufarej. Para dirimir a questão, o governador Fleury sugeriu a criação de um grupo de trabalho específico para o setor. A ANFAVEA já está elaborando um trabalho macroeconômico de objetivos e metas. O ministro uruguaio frisou a importância do setor produtivo na integração do MERCOSUL e quer eliminar ao máximo os obstáculos do processo. Segundo ele, os consumidores daquele país poderiam ser sacrificados em detrimento da indústria, se necessário. Ache, no entanto, comprometeu-se a levar os pleitos da indústria de autopeças ao governo uruguaio. "Não esperamos assimetrias totais, mas queremos colocar na mesa o que queremos e o que não queremos", disse Miguel Roca, representante das montadoras uruguaias (GM).