Um documento que o investidor Najun Azario Flato Turner registrou no 24o. Cartório de Notas de São Paulo mostra que o ex-secretário do presidente Fernando Collor, Cláudio Vieira, mentiu à CPI. No documento, Turner afirma que recebeu NCz$8,1 milhões de Vieira pela venda de 318 quilos de ouro, em 26 de abril de 1989. Ele assegurou que seu contrato com Vieira dizia que o ouro continuava em seu poder, para vendê-lo sempre que Vieira o desejasse, segundo a cotação da Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F). O problema é que já na primeira operação (Vieira comprando 318 quilos de ouro) a regra é descumprida. Em 26 de abril de 1989, o grama do ouro estava sendo cotado em NCz$28,87 na BM&F. Portanto, com NCz$8,1 milhões, Vieira poderia ter comprado 280 quilos de ouro e não 318 quilos. O investidor Najun Turner é acusado em processo de investigação do Banco Central de enviar ilegalmente divisas ao exterior. Só em abril de 91, Turner teria remetido, através de operações irregulares, cerca de US$16 milhões (Cr$65 bilhões a preços de hoje). As investigações do BC apontam as empresas Spread Comodities e Spread DTVM e os bancos Banfort e Excel Banco como instrumentos de Turner no processo de evasão de dólares. As irregularidades apuradas foram enviadas à Procuradoria Geral da República e à Receita Federal (FSP).