ACORDO ANTECIPARÁ TARIFA ZERO NO MERCOSUL

O comércio de autopeças entre os países do MERCOSUL deverá ficar isento de tarifas alfandegárias em 1993. Os empresários do setor trabalham para concluir até o fim do ano o acordo de complementação setorial, que abre o caminho para antecipar a adoção da tarifa zero. A informação é de Oscar Ramos, secretário-executivo da Câmara de Fabricantes de Componentes Automotores do Uruguai. Ramos é um dos 50 empresários que vieram ao Brasil acompanhar o ministro da Indústria, Energia e Mineração do Uruguai, Eduardo Ache Bianchi, em sua visita a São Paulo. Para o ministro Ache, o destino do MERCOSUL está nas mãos dos empresários. "De nada serve um acordo de liberação comercial entre governos sem a participação da iniciativa privada", argumenta. O setor automobilístico é o que lidera as negociações do MERCOSUL. E o empresário Oscar Ramos explica que as empresas ligadas à produção de veículos devem pedir aos governos de seus países a antecipação da derrubada das barreiras alfandegárias assim que fecharem um acordo de complementação setorial. Ramos adianta alguns detalhes do acordo das indústrias de autopeças, área que tem cerca de 70 empresas no Uruguai, com um total de três mil funcionários e faturamento anual de US$100 milhões. As fábricas, de pequeno porte se comparadas às brasileiras, pretendem se especializar em alguns nichos de mercado, como a produção de componentes para tratores, que, no Brasil, sairiam muito caros. Os uruguaios também planejam produzir componentes para "nacionalizar" carros da Peugeot e da Citroen, que serão importados da França. "Um veículo precisa ter 50% de nacionalização para ficar isento de tarifas no MERCOSUL", observa. As montadoras uruguaias também prevêem mudanças com o MERCOSUL. Atualmente, elas importam componentes com tarifas menores e montam 12 mil carros por ano (dos quais 80% vêm do Brasil) para o mercado uruguaio. Com a queda das tarifas, o Uruguai passará a importar os carros prontos e suas montadoras se especializarão em carros importados de outros locais fora do MERCOSUL. Para o presidente da Câmara de Indústrias do Uruguai, Néstor Gómez Alcorta, a discrepância entre as economias do MERCOSUL poderá provocar o adiamento da eliminação das tarifas, prevista para 1o. de janeiro de 1995. Gómez argumenta que é impossível competir sem uma uniformização macroeconômica-- o que significa taxa de inflação, juros, carga social, por exemplo, relativamente equivalentes (O ESP).