EMPRESA CITADA POR VIEIRA "LAVA" DINHEIRO

A Alfa Trading S/A é conhecida em Montevidéu como especialista em "lavar" dinheiro de empresas ou pessoas que buscam driblar o fisco em seu país de origem. Foi dessa empresa que Cláudio Vieira, ex-secretário do presidente Fernando Collor, diz ter tomado em 1989 um empréstimo de US$3,75 milhões. O dinheiro seria usado para a campanha eleitoral, mas, segundo Vieira, acabou desviado para pagar contas do já presidente Collor. A atividade da Alfa é legal no Uruguai. Mas a empresa não pode captar recursos no país-- o que abre suspeitas de que o dinheiro do empréstimo pode ter origem no próprio Brasil. A Alfa Trading não faz parte do Sistema de Intermediação Financeira do Uruguai, segundo informou o presidente do Banco Central Uruguaio, Ramón Díaz. Isso significa que, pela legislação do país, a empresa só pode fazer operações de empréstimo com recursos próprios. No entanto, um funcionário da Alfa Trading disse que a principal atividade da empresa é a intermediação financeira, e não o comércio exterior, como o nome faz supor. Além disso, técnicos do BC e pessoas ligadas a bancos que operam no Ururuguai, consideram que não seria possível a empresa pequena e desconhecida dispor de montante alto, mesmo para instituições financeiras. Ontem, a CPI do caso PC Farias foi informada pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) que Najun Turner é doleiro. Ele foi apontado por Vieira como encarregado de aplicar o dinheiro do empréstimo e de usá-lo para municiar a conta de Ana Acioli, secretária que pagava as despesas de Collor. Turner é acusado de contrabando de ouro no Rio Grande do Sul. Até o próximo dia três a BM&F entregará à CPI a lista de operações em ouro realizada ali por Turner. O período de investigação corresponde a 1o. de março de 1989 a 28 de junho de 1992. Três cheques assinados pelo "depositante-fantasma" Manoel Dantas Araújo para as empresas Mundial Aerotaxi, Brasil-Jet e EPC, todas de propriedade de Paulo César Farias, mostram a ligação entre o empresário e o corretor Turner. Najun Turner assumiu a responsabilidade pelos "fantasmas", entre eles o "depositante" Manoel Dantas Araujo, que movimentou US$11,5 milhões, no período de setembro a dezembro de 91. O valor é três vezes superior à linha de crédito que Cláudio Vieira diz ter conseguido no Uruguai para bancar as despesas pessoais de Collor (FSP) (O Globo).