Pesquisadores da USP detectaram níveis de urânio em cigarros brasileiros cerca de 10 vezes maiores que os encontrados nos EUA ou Europa. O urânio é um elemento químico radiativo, que constitui a matéria-prima de reatores nucleares e bombas atômicas. Os cientistas especulam que a inalação desse material, parte do qual é radiativo, poderia aumentar significativamente os casos de doenças como câncer do pulmão ou leucemia entre os fumantes. O urânio vem de fertilizantes fosfatados usados para adubar o tabaco. A equipe, chefiada por João Arruda Neto, do Instituto de Física da USP, estudou 10 marcas de cigarros. Sete delas tinham índices superiores à média norte-americana ou européia, de 0,07 ppm (partes por milhão) de urânio no cigarro. A pior marca foi o Plaza, com 0,80 ppm, ou 11 vezes a média do Primeiro Mundo. Depois vêm Mistura Fina (0,63 ppm); Free (0,57 ppm); Minister (0,50 ppm); Hilton (0,44 ppm); Pall Mall (0,29 ppm); Marlboro (0,071 ppm); e, abaixo da média, as marcas Chanceler (0,04 ppm); Hollywood (0,01 ppm) e Galaxy (0,01 ppm). A Companhia de Cigarros Souza Cruz, que teve sete de suas marcas com teor de urânio acima dos níveis aceitáveis, informou que só fará qualquer comentário sobre a pesquisa quando tiver acesso às suas conclusões. A Philip Morris, que teve duas marcas citadas (Mistura Fina e Marlboro) disse que o diretor de assuntos corporativos, Clodoaldo Celetano, que falaria sobre o assunto, viajou para o Rio Grande do Sul (FSP) (GM).