O tuxaua José Macuxi, de 48 anos, sai todo dia da Casa do Índio, no quilômetro 25 da AM-010, até um hospital de Manaus (AM), em um velho jipe da FUNAI, para o tratamento de câncer na próstata. As dores que sente são insuportáveis e, na volta, o agora debilitado tuxaua, se recolhe a uma rede dentro de uma oca abafada e de banheiro fétido. Igual ao tuxaua, existem outros 110 índios na mesma situação, vindos de várias tribos do Amazonas e Roraima. Eles são um testemunho de que as doenças endêmicas da Amazônia continuam devastando as suas populações. O mesmo jipe que se faz às vezes de ambulância também serve de transporte aos funcionários da FUNAI. A realidade dos 124 indígenas que formam a atual população da Casa do Índio (10% são acompanhantes) é apenas menos dramática do que foi até um mês atrás, quando a alimentação foi racionada e os remédios praticamente desapareceram das prateleiras. Como quase todos os casos precisam de tratamento especializado, daí terem sido encaminhados das aldeias para Manaus, os índios se convertem em simples cidadãos para serem atendidos no sistema previdenciário, atingido em Manaus por uma greve que se arrasta há dois meses (JB).