Documentos entregues pela Receita Federal à CPI do caso PC Farias indicam que a emissão de notas frias pela EPC para diversas empresas durou cinco anos. O esquema para o recolhimento de propinas, de acordo com as suspeitas da Receita, da Polícia Federal e da CPI, foi posto em prática desde 1987, quando Fernando Collor governava Alagoas, tendo sido suspenso apenas em maio de 1992. Foi nessa ocasição que Pedro Collor passou a denunciar as ligações de PC com o irmão presidente. Já foram descobertas 93 notas frias emitidas por PC. A primeira delas de três de setembro de 1987 e a última de 30 de abril deste ano. A maioria das empresas está ligada às atividades de cana-de-açúcar, cimento e construção civil. Entre elas estão a Votorantim, a Construtora Andrade Gutierrez e a Construtora Norberto Odebrecht. A Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas foi a que mais contribuiu com a "caixinha" de PC. Somente no dia 30 de dezembro de 1991, ela pagou à EPC Cr$500 milhões, em duas notas fiscais de Cr$250 milhões. Ao todo, segundo o levantamento, 30 empresas deram dinheiro para PC através da EPC (O Globo).