Os exportadores brasileiros de calçados, que nos primeiros seis meses deste ano conseguiram receita de US$560 milhões-- queda de 11,67% em relação ao primeiro semestre de 1991--, estão mais atentos ao potencial do mercado argentino, cujas importações, que eram de quatro milhões de pares, este ano deverão chegar a 10 milhões de pares. A alíquota de importação reduzida para 8,58% neste semestre e a paridade cambial entre o peso e o dólar favorecem os negócios para o Brasil. Porém, a contrapartida é desvantajosa para os argentinos porque, no país, a taxa de importação alcança 17,55%, o que tem gerado reclamações. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) não tem dados sobre as exportações para a Argentina, mas sabe que o volume de negócios está aumentando e alguns números indicam que 1/4 da demanda já é atendida por sapatos brasileiros. O diretor-executivo da entidade, Heitor Klein, disse que a entidade apóia a posição da Argentina em defesa da redução igualitária de alíquotas. Heitor Klein disse que chegou a ser sugerida a eliminação de todas as barreiras da cadeia coureiro-calçadista, sem sucesso. Em busca de parceria e da integração do MERCOSUL, a 30a. Feira Nacional de Calçado (Fenac), que se realizará de 11 a 14 de agosto em Novo Hamburgo (RS), pretende atrair empresários desses países (JC).