DOLEIRO APLICOU DINHEIRO DE COLLOR

O investidor apontado pelo ex-secretário do presidente Fernando Collor, Cláudio Vieira, como responsável pelo ouro usado para cobrir as despesas pessoais do presidente, Najun Azario Flato Turner, é doleiro e operador no mercado paralelo do ouro em São Paulo. "Em vários momentos, ele operou na contramão do Banco Central", disse uma fonte do mercado. Turner responde a pelo menos um processo na Justiça Federal. O corretor Najun Azario era um dos principais clientes da distribuidora Spread, liquidada pelo Banco Central este mês por operações irregulares no mercado de dólares. Cláudio Vieira declarou ontem à CPI do caso PC Farias que a origem do dinheiro de Collor é um empréstimo de US$3,750 milhões feito em janeiro de 1989 pela Alfa Trading S/A, do Uruguai. O presidente e o relator da CPI, deputado Benito Gama (PFL-BA) e senador Amir Lando (PMDB-RO), embarcam hoje para Montevidéu, com o objetivo de investigar a versão de Cláudio Vieira. Turner foi convocado para depor no próximo dia 31, e no dia 30, Vieira terá de voltar à CPI com mais provas. Em Montevidéu, Ricardo Forcella, dono da Alfa Trading, confirmou o empréstimo feito por Cláudio Vieira. "Não foi uma operação muito alta em termos de mercado mundial", disse ele. "É um negócio perfeitamente normal em Montevidéu". Vieira esteve com Forcella no último dia 25 para obter os documento que entregou ontem à CPI. O empresário Luiz Estevão de Oliveira, do Grupo OK, confirmou que foi avalista de Cláudio Vieira, em 1989, numa linha de crédito de até US$5 milhões feitos através da Alfa Trading. De acordo com Vieira, esses recursos seriam gastos na campanha eleitoral de Collor. Como as contribuições ao candidato superaram as expectativas, declarou, o empréstimo acabou desviado para pagar os gastos do já presidente. O empresário Luiz Estevão confirmou que os outros avalistas foram o então governador de Alagoas, Fernando Collor, e o atual deputado federal Paulo Octávio Pereira (PRN-DF). O ex-secretário disse que comprou 300 quilos de ouro e que Turner foi contratado para aplicá-lo, convertê-lo em dinheiro e fazer depósitos na conta da secretária Ana Acioli. As provas que temos contrariam essa história, disse o relator da CPI, Amir Lando. Vieira, por exemplo, não conseguiu explicar por que o dinheiro tinha que passar por correntistas "fantasmas" até chegar a Acioli. Ele também não registrou o empréstimo em sua declaração de Imposto de Renda de 1990 (O ESP) (JC) (FSP) (JB).