VERSÃO DE VIEIRA É UM EMPRÉSTIMO DE US$5 MILHÕES

Em depoimento, hoje, na CPI do caso PC Farias, o ex-secretário particular do presidente Fernando Collor, Cláudio Vieira, dirá que a maior parte das despesas pessoais do presidente são pagas com recursos de um empréstimo de US$5 milhões feito em 1989 numa instituição financeira uruguaia. Vieira aplicou este dinheiro no Brasil, no mercado de ouro, e o resultado destas aplicações era depositado na conta de Ana Acioli, secretária do presidente, por um operador da Bolsa de Mercadorias e Futuro. Do total, já foram gastos US$3 milhões, parte com as reformas da Casa da Dinda. Na opinião de tributaristas e especialistas em câmbio, a operação de Vieira é perfeitamente legal, pelo menos em tese, desde que ele tenha todos os documentos para comprová-la. Segundo o ex-secretário substituto da Receita Federal, Eivany Antônio da Silva, o Uruguai opera com liberdade cambial, e, sendo um país vizinho, aceita rotineiramente cruzeiros sem problemas. Qualquer pessoa física ou jurídica pode levantar um empréstimo no exterior. O ingresso de cruzeiros no país, seja através de remessa bancária, seja fisicamente, também não contraria a legislação cambial brasileira, já que a moeda corrente no Brasil é o cruzeiro. A CPI já identificou os oito "fantasmas" que depositavam na conta de Ana Acioli com CPFs falsos. Entre eles, estão Rosinete Melanias, secretária de PC, o piloto Jorge Bandeira de Melo, sócio do empresário alagoano na Brasil-Jet, e Marta Vasconcelos, secretária de Bandeira (JB).