COMÉRCIO ENTRE ARGENTINA E BRASIL ALCANÇARÁ US$3,5 BILHÕES

O comércio bilateral entre Brasil e Argentina vai alcançar este ano um volume de negócios da ordem de US$3,5 bilhões, confirmando um crescimento que se mantém constante desde 1987. A novidade é que, pela primeira vez desde 1988, a balança será francamente favorável ao Brasil, que este ano passou a ter na Argentina seu segundo maior parceiro comercial. Nos primeiros seis meses do ano as vendas para o mercado argentino chegaram a US$1,26 bilhão-- mais que o dobro dos US$526 milhões do mesmo período em 1991. Por trás desse desempenho existem centenas de grandes, médias e pequenas empresas que estão descobrindo o mercado argentino. Muitas das grandes (como as indústrias de autopeças) já estão presentes na Argentina há muito tempo, e se beneficiam de um aumento de suas vendas pelas vantagens comparativas de custo, lembra o presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira, Juan Carlos Rondinella. A maioria das médias e pequenas empresas está entrando agora, tirando vantagem do grande crescimento das importações de bens de consumo e de alimentos. Um levantamento feito pelo setor de promoção comercial da embaixada brasileira confirma o "boom": em junho, 30 empresas argentinas procuraram a embaixada, interessadas em importar de vassouras a peças Mercedes Benz; de pavio a embalagens de papelão; e 61 empresas brasileiras informaram ao setor seu interesse em vender à Argentina tomates, móveis, frutas em geral, brinquedos e até bandeiras. O Brasil vende de polpa de tomate a bombom. A Arisco, por exemplo, é uma empresa que decidiu investir na Argentina com intenção de ficar. Em março de 91 começaram os estudos e em outubro o Só Purê (polpa de tomate) era lançado. Hoje, ela tem 10 produtos em 95% dos supermercados e o apoio de Xuxa como garota-propaganda. Há também as veteranas de mercado. A Brahma fincou um pé na Argentina há quatro anos, ao se associar com a Londrina. isto resultou, há dois anos, na criação da Malteria Pampa, para elaborar na Argentina o malte, matéria-prima que abastece todas as fábricas da Brahma no Brasil. A Antarctica tem estratégia diferente: fez um acordo de distribuição com a Georgalos, empresa da área de alimentos, que esta semana passa também a distribuir os produtos Etti na Argentina. A mesma estratégia, em associação com a mesma Georgalos, adotou a Lacta, que tem pela frente uma árdua competição com a Garoto, paixão dos argentinos pelo chocolate. Na Argentina, a Garoto é distribuída pela Lheritier, um dos maiores fabricantes argentinos de guloseimas. E, segundo Daniel Bogdano, gerente de Comércio Exterior da Lheritier, a idéia a médio prazo é que as duas empresas fechem acordo de complementação e transferência de tecnologia, com a empresa argentina fabricando bombons Garoto e a brasileira os caramelos Lheritier. Tais acordos operacionais começaram a acontecer com maior frequência após Brasil e Argentina terem assinado o acordo da indústria automobilística, abrindo a primeira brecha para a integração entre os dois países, no final do governo Sarney. Hoje não espanta a ninguém que a Sevel, fabricante argentina de Fiat e Peugeot, troque componentes e veículos com a Fiat brasileira. nem que a Renault, sem subsidiária no Brasil, planeje comprar metade das autopeças de que necessita da General Motors brasileira, a partir de 1995 (O Globo).