PC DESVIOU CERCA DE 30% DO ORÇAMENTO DO GOVERNO

O resultado mais importante até agora das investigações do caso PC Farias pela CPI mista do Congresso é a conclusão de que o empresário alagoano chefiou uma quadrilha, que agiu de modo sistemático e organizado junto ao governo. O exame dos documentos em poder da CPI permite estimar, segundo integrantes da comissão, que o esquema PC se apoderou, desde a posse do presidente Fernando Collor, de cerca de 30% dos recursos orçamentários da União efetivamente movimentados, seja para investimentos, seja para despesas de custeio da máquina federal. Pelos cálculos feitos na CPI, o volume de recursos desviados pode chegar à casa dos milhões de dólares. A CPI encontrou na rede bancária as provas que a ajudaram a desenhar o modo de agir do grupo comandado por PC Farias. Esses documentos somados às 650 notas frias emitidas pela EPC, uma das companhias de PC, a grandes grupos do setor privado, podem ser o roteiro para que se identifique os principais canais de desvio do dinheiro público. Sabe-se contudo que o esquema PC manipulou licitações, interferiu em compras governamentais, recebeu dinheiro para influir no pagamento de dívidas do setor público para empresas privadas, intermediou verbas para obras públicas, trabalhando sempre com uma margem de 30% de pedágio-- nome dado pelo grupo à cobrança de comissões ilegais. Presume-se na CPI que o dinheiro obtido na cobrança das comissões, normalmente pagos em dólar, saiu irregularmente do país no fundo falso do jato Morcego Negro para depósitos em paraísos fiscais, como Nassau, nas Bahamas. Desses locais, empresas constituídas pelo grupo apenas para manipular esses recursos remetiam o dinheiro para "filiais" em Miami (EUA), que legalizaram milhões de dólares na compra de títulos da dívida externa brasileira, os DFAs, comercializados no mercado secundário, e em aplicações nas bolsas de valores norte-americanas. A CPI supõe que grande parte desses dólares foi parar em depósitos em bancos suíços (JB).