Em documento de 800 páginas, dividido em cinco volumes e publicado em inglês pelo Fundo Mundial para a Natureza, o zoólogo inglês Anthony Brome Rylands-- radicado no Brasil há 16 anos-- faz um diagnóstico sobre a situação dos parques nacionais e reservas ecológicas da Amazônia. "A situação fundiária, as ameaças e a falta de implantação efetiva dos parques e reservas existentes demonstram que ainda hoje são parques de papel", constata o autor. Em seu trabalho, que pretende ser uma contribuição para instituições internacionais interessadas em investir na preservação da região, o pesquisador verifica que um dos problemas mais sérios dos parques e reservas existentes na Amazônia brasileira é o fundiário. "O IBAMA não tem títulos legais para nenhum dos Parques Nacionais, somente para o Jaru e 40% do Lago Piratuba, entre as reservas biológicas", revela Rylands. Ele elogia, no entanto, a estratégia da Secretaria de Meio Ambiente de criar estações ecológicas somente em terras da União. A área ocupada por 33 parques e reservas federais, além de cinco estaduais, totaliza 17 milhões de hectares, o equivalente a 3,44% da Amazônia. Mais do que o tamanho, que pode ser considerado pouco expressivo, o que importa é a conservação da biodiversidade, diz Rylands. São quatro as unidades de preservação: parques nacionais, reservas biológicas, estações e reservas ecológicas. A infra-estrutura precária é outro problema enfrentado. O zoólogo afirma que há aproximadamente um guarda de parque para cada 6.161 km2 de reserva (JB).