O Japão é um dos três maiores investidores no Brasil, perdendo apenas para os EUA e empatando com a Alemanha, com 400 multinacionais instaladas no país. Empresas e instituições querem, a partir de agora, aumentar o fluxo de capitais entre os dois países, depois que o Brasil normalizou relações com a comunidade financeira internacional ao fechar acordos sucessivos com o FMI, Clube de Paris e bancos credores privados. "Os investimentos privados vão se seguir aos investimentos oficiais", garantee Takanori Suzuki, presidente do Banco de Tokyo, maior instituição financeira japonesa do Brasil. "Primeiro virá o dinheiro do governo, o que vai atrair o capital privado japonês", diz. Não há ainda projetos concretos de investimento dos japoneses. O banco oficial de financiamento ao comércio exterior do Japão (Eximbank) liberou recursos de US$1 bilhão ao Brasil na semana passada e a JETRO (órgão de fomento das relações comerciais) formou agenda de compromissos com a indústria nacional para aumentar o intercâmbio comercial até junho de 1993. A presença importante das empresas japonesas no Brasil está estimulando a criação de departamentos especializados no atendimento dessa parcela especial entre a maioria dos bancos e também companhias. Os chamados Japan Desk Unibanco, NMB Postbank e Chase Manhattan Bank foram os pioneiros nessa estruturação. "É uma experiência muito bem sucedida", avalia Israel Vainboim, presidente do Unibanco. "Estamos há um ano e meio em pleno funcionamento e temos hoje cerca de 200 clientes que operam conosco". O Unibanco iniciou o seu Japan Desk através de associação com o Dai Ichi- Kangyo Bank, maior banco do mundo, com ativos de US$450 bilhões, ou valor equivalente ao PIB brasileiro. O Dai-Ichi investiu US$100 milhões na compra de uma participação no Unibanco em 1988 e designou dois diretores para trabalharem no departamento. "Nossa estratégia é atender o cliente japonês, mas também a empresa brasileira com interesses no Japão", revela Vainboim. A tabela de investimentos japones no Brasil é a seguinte: 1983 (US$114 milhões), 1984 (US$160 milhões), 1985 (US$135,5 milhões), 1986 (US$101,2 milhões), 1987 (US$145,6 milhões), 1988 (US$272,1 milhões), 1989 (US$157,8 milhões), 1990 (US$162,6 milhões) e 1991 (US$69,6 milhões). Os setores preferenciais são: agricultura (US$20,7 milhões), pecuária (US$40,5 milhões), pesca (US$1,7 milhão), extração mineral (US$81,1 milhões), siderurgia (US$392,4 milhões), metalurgia (US$439,5 milhões), mecânica (US$184,7 milhões), eletroeletrônica (US$474,3 milhões), veículos (US$211,2 milhões), autopeças (US$13,1 milhões), química (US$48,3 milhões), derivados de petróleo (US$35,8 milhões), medicina e farmácia (US$4,3 milhões), têxtil (US$20,9 milhões), alimentos (US$66,5 milhões), fumo (US$1,3 milhão), outras indústrias (US$517,4 milhões), bancos comerciais (US$321,2 milhões), bancos de investimento (US$54,1 milhões), representação (US$107,8 milhões) e outros (US$230,8 milhões) (JB).