VENENO DE ABELHA É UTILIZADO NO COMBATE À AIDS

Na 8a. Conferência Mundial sobre AIDS, que terminou esta semana em Amsterdã (Holanda), foi revelado que 75% dos portadores do vírus HIV aliam medicamentos, como o AZT, às terapias alternativas na luta contra a doença. No Brasil, dois soropositivos de Pernambuco estão testando um novo tratamento que usa apenas a apitoxina, o veneno das abelhas. O emprego da substância no tratamento do reumatismo, da artrite, da cefaléia e do lupo já era conhecida, mas essa é a primeira vez que a apitoxina é utilizada para tentar controlar deficiências imunológicas. Um dos pacientes é um apicultor, que não quer se identificar. Com os sintomas da moléstia há seis anos, ele se deixa picar pelas abelhas e diz que nunca precisou tomar o AZT. Os exames de laboratório do paciente mostraram um significativo aumento de dois tipos de células do sistema imunológico: os linfócitos CD4 e CD8. O apicultor está sendo acompanhado pelos médicos Paulo Miranda, Aureliano Quintino dos Santos e Belarmino Carneiro Siqueira, do Hospital das Clínicas da UFPE. Eles preparam o trabalho "Efeitos do veneno de abelha sobre parâmetros clínicos laboratoriais em pacientes com HIV positivo-- estudo de caso", que será apresentado no Congresso de Biomedicina, em São Paulo, em setembro deste ano. Essa é a primeira abordagem pública do assunto (O Globo).