O Nordeste mudou. A estiagem que atinge atualmente 219 municípios do Ceará e do Piauí não é a única realidade do sertão. Ao longo da última década, as plantações de mandioca, milho e feijão passaram a ceder terreno para o verde dos campos irrigados, que hoje respondem por 42% das exportações de frutas do Brasil. São as extensão plantações de cajueiros do Nordeste que dão ao país o segundo lugar na classificação mundial de produtores de castanhas. Nos últimos 10 anos, o setor agropecuário cresceu em proporções maiores na região do que no Brasil como um todo. A cultura de castanha teve expansão de 240% em 10 anos. De acordo com o Grupo de Contas Regionais da SUDENE, a agropecuária cresceu 34,5% entre 81 e 91, enquanto no Brasil o crescimento foi de 21,2% no mesmo período. A soja também começa a mudar a paisagem dos antes vazios cerrados do Piauí e do Maranhão. Ao longo da década, a cultura da soja-- que também é produzida no Oeste baiano-- registrou crescimento de 39.600%. Agora, se espalha por 500 mil hectares dos três estados, onde antes seu cultivo era praticamente desconhecido. O produto já faz parte da pauta de exportações do Nordeste, com o embarque, esta semana, da primeira remessa de 26 mil toneladas para a Europa (O Globo).