REGRAS DO COMÉRCIO EXTERIOR AMEAÇAM O MERCOSUL

É coerente a ação movida pelos EUA, exigindo por parte do GATT um exame minucioso do estabelecimento do MERCOSUL, de acordo com o economista do Ministério da Economia, José Octávio Knak de Souza. "O GATT é uma instituição muito séria: recebe as propostas com carinho, mas digere com dificuldade", afirmou Knak de Souza, que representou o Brasil junto à instituição de 1954 a 1984. Ele acha muito difícil que o GATT deixe de questionar itens de tratado do MERCOSUL, por exemplo, com o que estabelece uma tarifa externa comum aos quatro países-membros (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). Tarifa alfandegária zero para automóveis é excelente para o Paraguai,
48947 mas, para Brasil e Argentina, países exportadores, não. O GATT sabe as
48947 dificuldades de se implantar este tipo de acordo, exemplificou Knak de Souza. Na opinião do economista, é precipitado achar que o MERCOSUL estará completamente implantado no prazo previsto, de 1o. de janeiro de 1995. Não há, em sua opinião, nenhum Interesse inconfessável" dos EUA, na proposta de exame das condições de estabelecimento do MERCOSUL. O economista considera, no entanto, muito importante a instalação do Mercado Comum do Cone Sul e acha que o Brasil deve enviar a Genebra negociadores especializados em tarifas e comércio exterior, para discutir em igualdade de condições com os técnicos do GATT. "Não há qualquer prevenção contra o MERCOSUL, mas, às vezes, nós pensamos que estamos respeitando as regras internacionais, e não estamos", salientou. Já o presidente do Conselho Federal de Economia, José Moraes Neto, considera o MERCOSUL Irreversível", pois "não fere qualquer regra estabelecida pelo GATT; o que pode estar acontecendo é uma pendência comercial localizada", afirmou. Para Moraes Neto, alguns dos grandes beneficiados do MERCOSUL são as grandes corporações de capital internacional, inclusive norte-americanas, estabelecidas nos quatro países. "O setor produtivo será, sem dúvida, o grande beneficiado com o MERCOSUL", disse. Apesar dos problemas no GATT, informou Moraes Neto, o precesso de implementação do MERCOSUL corre normalmente. Há negociações avançadas de vários setores industriais e agrícolas, sobretudo de Brasil e Argentina, com vistas a preparar a queda progressiva das alíquotas que incidem sobre o comércio exterior. O MERCOSUL, no entanto, ainda não serviu para incrementar a corrente comercial entre os brasileiros e seus vizinhos, a não ser a Argentina. Tanto que as exportações para a Argentina totalizaram US$1,26 bilhão, no primeiro semestre deste ano, o que representou aumento de 141,86% em comparação com igual período de 1991, mas para o Paraguai apresentaram queda de 6,97%, fechando em US$217,14 milhões. O mesmo ocorreu no comércio com o Uruguai, onde se verifica retração de 0,29%, resultando em US$168,14 milhões. Já as importações brasileiras nos países que integram o MERCOSUL totalizaram US$428,12 milhões, entre janeiro e março (últimos dados disponíveis). As exportações somaram US$760,58 milhões neste período, o que resultou em superávit de US$332,46 milhões para o Brasil (JC).