MARCÍLIO PARTICIPA DE FÓRUM LIBERAL DA AMÉRICA LATINA

O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, ressaltou ontem a necessidade de haver um "consenso da sociedade para que o programa econômico possa ser implementado de modo efetivo". O ministro encerrou o I Fórum Liberal da América Latina, organizado pelo Instituto Liberal, que reuniu, em São Paulo, representantes da Argentina, Brasil, Colômbia, Chile e Venezuela para falar sobre o ajuste de suas economias. O ministro exemplificou que é necessário o "consenso" para se aprovar a reforma fiscal neste ano. "Há necessidade urgente e inadiável da reforma fiscal e institucional para que se possa dar continuidade ao programa econômico". Outros participantes do encontro, como o vice-ministro da Economia da Argentina, Carlos Sanchez, e o ex-ministro de Finanças do Chile, Hernán Buchi, que iniciou o processo de estabilização das economias na América Latina, crivaram Marcílio com perguntas. Buchi, que relacionou entre os problemas brasileiros "o quase desaparecimento da moeda, a inflação crônica, historicamente, e a abertura econômica mais lenta do que a de seus vizinhos", quis saber também das políticas sociais e do programa de privatização. O ex- ministro chileno disse que a inflação no nível de 20% ao mês "não é sustentável". Marcílio concordou que "a 20% a inflação não é tolerável. Não estamos conformados. Estamos usando todas as armas-- fiscal, monetária, maior liberdade comercial e produtividade para que venha a níveis civilizados". Admitiu que há preocupação de acelerar a privatização. Mas lembrou que as 14 empresas já privatizadas são "muito grandes. São as maiores siderúrgicas da América Latina". Lembrou ainda que algumas empresas depende de mudança na Constituição-- o que leva tempo-- para extinguir monopólios. A abertura da economia brasileira foi uma preocupação não só de Buchi como também do vice-ministro argentino da Economia. Sanchez afirmou que é frequentemente questionado se o MERCOSUL pode seguir adiante com os problemas econômicos do Brasil. Para ele, "a natureza da política econômica e a firmeza com que tem sido implementada permitem prognósticos otimistas para a solução dos problemas". Marcílio respondeu aos dois dizendo que o "ritmo de abertura é prudente e atende às características do Brasil, mais amplo e dado a passos lentos e graduais". Acrescentou que a política de substituição de importações, esgotada agora, teve êxito em desenvolver a indústria local. "Precisamos dar tempo para que as empresas se adaptem", disse, lembrando que em 1o. de outubro nova rodada de redução de tarifas vai ocorrer. Garantiu que "nosso programa é irreversível. Não há condições de acelerá-lo nem de retardá-lo". O vice-ministro da Economia da Argentina criticou a lentidão da abertura alfandegária do Brasil, que poria em risco a realização do MERCOSUL. Marcílio respondeu que esse problema se deve às dimensões físicas e econômicas do país. Buchi concordou que, do lado externo, os avanços foram grandes, citando os números que Marcílio apresentou, como o saldo da balança comercial de mais de US$1,6 bilhão, em junho, 66,3% superior ao de igual mês de 1991 e 12,5% superior ao de maio-- o maior desde maio de 1990. "Nos primeiros seis meses do ano, a corrente de comércio superou, pela primeira vez em nossa história, o valor de US$25 bilhões. O representante do México, catedrático da Universidade de Morelos, Edgard Mason Villalobos, quis saber da preocupação social do governo. Marcício afirmou que a estabilidade é considerada um bem comum. A inflação de 0,88% por dia "é igual a um imposto perverso e não transparente que recai sobre o trabalhador e reduz o salário que ganha" (GM) (O Globo) (JB).