Os produtores de açúcar e de álcool do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai vão reunir-se no próximo dia 12 de agosto na Secretaria de Agricultura de São Paulo para discutir a integração desse mercado ao MERCOSUL. Desse encontro deverá resultar uma proposta de acordo setorial que será encaminhado ao grupo Mercado Comum do MERCOSUL para análise. Na última reunião entre os produtores, realizada no início deste mês em Montevidéu, os brasileiros fizeram algumas propostas aos seus parceiros no MERCOSUL para se chegar a um "acordo de cavalheiros". Segundo o vice- presidente da Associação das Indústrias de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (AIAA), Edgar Corona, pela proposta dos produtores brasileiros, os argentinos pediriam ao seu governo para reduzir a zero a taxação sobre o açúcar brasileiro-- hoje de 13% sobre o preço do refinado na Bolsa de Paris, o que corresponde a cerca de US$36 por tonelada. Os paraguaios teriam de pôr fim à proibição de importação de açúcar e os uruguaios, por sua vez, eliminariam o preço de pauta de entrada do açúcar de US$380 por tonelada. Essas medidas entrariam em vigor já em 1993, combinadas com a criação de uma legislação que incentivasse o uso do álcool como aditivo à gasolina em substituição ao chumbo. Em troca, os produtores brasileiros se comprometeriam a exportar o seu açúcar em cotas anuais a partir de 1993 por um período a ser negociado entre as partes envolvidas, em vez de invadir o mercado dos países do MERCOSUL de uma só vez já em 1995. O açúcar está na lista de exceção da Argentina e do Paraguai, na qual constam os produtos de cada país que não entram no programa de desgravação tarifária automática-- como redução das alíquotas de seis em seis meses até chegar a zero em 31 de dezembro de 1994--, estabelecido no Tratado de Assunção. A tonelada do açúcar brasileiro, nos cálculos de alguns produtores, é produzido a um custo de US$195, enquanto na Argentina esse custo oscila entre US$300 e US$350. Ou outros três países do MERCOSUL, segundo Corona, representam um mercado de 1,2 milhão de toneladas, o equivalente a 15% da produção brasileira. A Argentina produz 1,3 milhão de toneladas, exportando algo em torno de 300 mil toneladas. O Paraguai consome quase todo o açúcar que produz, cerca de 100 mil toneladas. O Uruguai importa por ano aproximadamente 60 mil toneladas, enquanto o Brasil produz cerca de 8,3 milhões de toneladas e exporta 1,8 milhão de toneladas (GM).