CONFERÊNCIA DA AIDS ACABA SEM AVANÇOS

A 8a. Conferência Mundial da AIDS terminou ontem, em Amsterdã (Holanda), sem que tenha sido divulgada qualquer pesquisa que apontasse um atalho no caminho para a vacina contra o HIV. "Não podemos dizer que estamos perto da vacina. Problemas não se resolvem da noite para o dia", declarou Michael Merson, chefe do programa da OMS (Organização Mundial de Saúde) contra a AIDS. Os resultados da conferência apontam na direção contrária. A notícia mais importante da semana é que existe um outro vírus, diferente do HIV-1 e do HIV-2, que provoca uma doença cujos sintomas são no mínimo muito parecidos com a AIDS, se for a própria AIDS. Segundo estimativa da OMS, a cada 15 segundos uma pessoa é infectada pelo vírus da AIDS no mundo. Michael Merson disse que as pesquisas sobre novos tratamentos e vacinas foram um alento, embora não apresentassem prazos definidos. Ele observou, porém, que a OMS realizará em breve uma reunião para debater o suposto novo vírus. Os participantes da conferência exortaram os governos dos países que discriminam os afetados pela doença a alterarem radicalmente sua atitude, em respeito aos direitos humanos. "É amplamente sabido que as leis e as práticas que discriminam as pessoas afetadas pela AIDS são moralmente indefensáveis, e dificultam os esforços em favor da melhoria da saúde pública", disse Júlia Hausermann, da Associação Internacional de Defesa dos Direitos Humanos, com sede em Londres (Inglaterra). Johnathan Mann, coordenador da conferência, disse que os governos precisam continuar investindo em campanhas de prevenção. Mann alertou que a concentração da doença em países do Terceiro Mundo-- a África Subsaariana e o Sudeste Asiático respondem hoje por 75% das novas infecções-- pode fazer os países ricos a diminuírem a verba para pesquisa na área. A liberação de costumes parece estar ajudando a Holanda a evitar a AIDS. Em 1987, estimava-se que em 1991 o país teria 3,5 mil casos da doença. Contabilizou-se dois mil no período. Na Holanda, os médicos circulam entre os grupos de risco, sem problemas. O bairro da Luz Vermelha, em Amsterdã, é frequentado regularmente para pesquisas. Uma delas levantou que 81% das prostitutas e 75% dos clientes usam preservativo. Drogas pesadas são proibidas, mas um programa de distribuição de agulhas limpas, que já tem 10 anos, reduziu a epidemia entre os usuários (FSP) (O Globo) (JB).