O Chile pedirá sua entrada no tratado comercial que EUA, Canadá e México estão negociando (NAFTA), tão logo seja ele seja assinado. Segundo afirmou ontem, em São Paulo, o ex-ministro das Finanças do Chile (de 1985 a 1990), Hernan Buchi, o país quer se integrar a outros que tenham uma abertura de mercado semelhante à sua. Por isso, o MERCOSUL, que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, não interessa no momento. Um dos entraves do MERCOSUL são as altas taxas alfandegárias. Buchi diz que a alíquota máxima no Chile é de 11%, enquanto no Brasil chega a 60%. Ele explica que uma integração econômica não exige taxas de 15% a 20%, nível que o Brasil dificilmente atingirá a curto prazo. Outra dificuldade que deve ser resolvida é a inflação. Segundo ele, não há estabilização enquanto houver inflação. Buchi alinhou ainda vários pontos favoráveis a seu país, para dizer que compor o MERCOSUL está fora dos planos do Chile. O país está com reservas cambiais de US$8 trilhões; a inflação este ano deve ficar abaixo de 12%; o desemprego é de apenas 5%; e o Produto Interno Bruto deve crescer este ano 6%, fechando com US$86 bilhões. Hernan Buchi, que também preside uma associação liberal no Chile chamada Liberdade e Desenvolvimento, diz que seu país é aberto às idéias do livre comércio, por isso firmou no ano passado um importante acordo com o México. "Não queremos nos voltar exclusivamente para uma região. Vendemos 20% para os EUS, 30% para Europa, 20% na América do Sul. Aceitamos acordos que não signifiquem romper com nossas metas, pois não queremos barrar os avanços já alcançados", disse. Para ele, o preço da recessão para se atingir o desenvolvimento é discutível. "O Brasil está vivendo sacrifícios sem contrapartidas há muito tempo", afirmou (O Globo) (JB).