BRASIL ESTUDA EFEITOS DO NAFTA SOBRE EXPORTAÇÕES

Na opinião do embaixador Rubens Barbosa, chefe do Departamento de Integração do Ministério das Relações Exteriores, a implantação do North America Free Trade Agreement (NAFTA)-- zona de livre comércio entre EUA, Canada e futuramente o México-- influenciará negativamente o comércio exterior brasileiro. "Estamos analisando cuidadosamente essa questão", disse, ontem, na sede da FIESP. Para ele, os produtos brasileiros exportados que seriam mais afetados pela implantação do NAFTA seriam: suco de laranja, calçados, autopeças, vestuário e siderúrgicos. Ele lembrou, ainda, que essa zona de livre comércio deverá provocar um possível desvio de investimentos. O chefe da Divisão do MERCOSUL do Itamaraty, Sérgio Florêncio, diz que o Brasil deveria continuar a privilegiar uma estratégia comercial
48886 multilateral, completada por crescente prioridade ao MERCOSUL que constitui
48886 a opção mais correta e promissora em nível regional. Segundo observa, o ingresso em uma área hemisférica de livre comércio traria riscos médios para segmentos do setor de bens de capital, produtos eletrônicos, material de transporte, elétrico, de comunicações e algumas indústrias químicas. Os riscos mais elevados incidiriam sobre setores com defasagem tecnológica, como informática (exceto software para aplicações bancárias) e o complexo metal-mecânico. Hoje os EUA são o principal parceiro econômico do Brasil isoladamente, com US$3,4 bilhões importados no período de janeiro a junho. O principal bloco é o da CEE (Comunidade Econômica Européia), com US$5,3 bilhões no mesmo período e os países da ALADI, que detêm US$3,1 bilhões das exportações brasileiras. Entre os países do MERCOSUL, a maior fatia ficou com a Argentina, que comprou US$1,2 bilhão em produtos brasileiro no primeiro semestre deste ano, seguido do Paraguai, com US$217 milhões e do Uruguai (GM).