ARGENTINA NÃO MUDARÁ TAXA DE CÂMBIO

O governo argentino não pretende ceder diante das pressões por uma mudança na taxa de câmbio que estão sendo feitas por alguns empresários preocupados com a crescente importação de produtos brasileiros e de outros países. "Uma modificação na taxa real de câmbio terá que ser reflexo de mudanças nos custos de produção. Somente a reforma da regulamentação dos portos vai diminuir em 30% a 40% o custo da exportação", disse ontem, em São Paulo, o vice-ministro da Economia da Argentina, Carlos Sanchez. "A taxa é muito mais do que a âncora da moeda. Se for alterada, muda toda a estrutura do plano. Ela faz parte da reforma monetária feita, que criou uma nova moeda, não indexada, hoje chamada de peso, em regime de total convertibilidade com o dólar, cuja circulação e quantidade é determinada pelo nível de reservas do banco central", explicou negando que a Argentina tenha dolarizado a economia. "Pelo contrário, foi recobrada a confiança na moeda nacional". Essa reforma, acrescentou, junto com a abertura comercial, permitiu que os preços internos se adequassem ao nível internacional. De toda forma, disse Sanchez, para cumprir os marcos de integração previstos no MERCOSUL, "Brasil e Argentina têm que coordenar suas políticas macroeconômicas e eliminar as assimetrias". Lembrou que alguns setores argentinos, como o de papel de imprensa, estão pedindo salvaguardas. "Mas não poderemos travar as compras do Brasil. Isso se resolve com maior competitividade, e custos menores de produção" (GM).